quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Bolo de Cenoura com Cobertura de Queijo Creme


Desde o início do blog (há mais de um ano, que o tempo passa) tenho-me tornado mais exigente com a qualidade das receitas. Não das fotos, não me dou a esse luxo, nem dos textos, que são sempre obviamente demasiado longos.
Talvez dê para ver através da maravilhosa frequência com que publico receitas, mas a grande maioria das receitas que faço não é publicada - porque não é boa o suficiente, ainda pode ser melhor, o aspecto não é tão bom como podia (devia) ser ou porque não pesei os ingredientes. Não gostava de fazer uma receita de um blog e descobrir que nem aquece nem arrefece, e dispenso publicar receitas só por ter ido o trabalho de as cozinhar e tirar fotos (fotografar é para os profissionais :P). Embora a tentação às vezes seja essa, prefiro publicar apenas receitas que faria outra vez (ou mil), e quando não atingem o potencial chego a fazer umas 10 vezes antes de postar (ainda por cima se são boas a tendência é «deixa lá, não é como se não fosse ÓBVIO que vais fazer outra vez»). Há imensos blogs que publicam receitas fantásticas quase diariamente, mas para mim é assim. Acho que 80% do que cozinho não publico.
Pensar em fazer um ranking de receitas do blog dá-me arrepios, porque nem conseguia escolher um top 10. O blog É o meu top de receitas, e têm a garantia de que adoro sinceramente estas receitas todas e as repetiria. E que tenho um ataque de cada vez que vejo a caixa de sugestões por me lembrar de tudo o que tenho de voltar a fazer (por ser maravilhoso, notemos).
Quando estava a fazer a cobertura deste bolo ficou mais granulosa do que eu queria. Talvez por causa da batedeira da idade da pedra, talvez por causa da minha irresponsabilidade com a temperatura dos ingredientes. Aproveitando a minha extraordinária capacidade de resolução de problemas triturei-a com a varinha mágica e ficou perfeita e cremosa. No fim fiquei com a dúvida: será que devo publicar a receita? Afinal, não correu tão bem como esperava. Se por um lado a garantia de solução fácil de um problema comum me aliciaria se fosse fazer um bolo, a não perfeição da receita era incomodativa.
...E depois experimentei o bolo. 







Bolo de Cenoura com Cobertura de Queijo Creme 
Adaptado daqui
Para 1 bolo com 25cm de diâmetro e 2 camadas

Ingredientes:

Para o bolo:
[  350g de farinha
[  1 colher de chá de canela
[  1/2 colher de chá de noz moscada
[  1 pitada de cravinho em pó
[  1 colher de chá de bicarbonato de sódio
[  1 1/4 colher de chá de fermento
[  1 pitada de sal
[  4 ovos L
[  300g de açúcar
[  100g de açúcar puro de cana (ou mascavado) 
[  350ml de óleo vegetal
[  450g de cenoura descascada e ralada (5 cenouras grandes)

Para a cobertura:
[  450g de queijo creme (à temperatura ambiente)
[  150g de manteiga sem sal (à temperatura ambiente) 
[  2 colheres de sopa de iogurte ou queijo fresco batido
[  1 colher de chá de extracto de baunilha
[  250g de açúcar em pó

Preparação:

Bolo:
| Misturar numa tigela grande a farinha, as especiarias, o bicarbonato, o fermento e o sal.
| Com uma batedeira eléctrica na velocidade máxima, bater os ovos com os 2 tipos de açúcar até que formem uma mistura homogénea (cerca de 1 minuto). 
| Diminuir a velocidade da batedeira e adicionar o óleo num fio. 
| De novo na velocidade máxima, bater durante uns minutos até a mistura estar mais pálida. 
Envolver manualmente a cenoura ralada e a mistura de ingredientes secos. 
| Colocar numa forma untada e enfarinhada com cerca de 25cm de diâmetro (e será necessário cortar o bolo) ou distribuir a massa por 2 formas com a mesma medida. 
| Levar ao forno pré-aquecido a 180º até cozer (cerca de 30 minutos). 
| Remover da forma após esfriar um pouco e deixar arrefecer completamente numa rede.
| Se feito numa só forma, cortar o bolo em duas camadas (foi o que eu fiz). 


Cobertura:
| Bater na velocidade máxima da batedeira eléctrica o queijo creme, a manteiga, o iogurte/queijo e a baunilha até estarem bem misturados (cerca de 1 minuto). 
| Adicionar o açúcar em pó e voltar a bater durante uns minutos, até estar com a consistência desejada.
| Se a textura ainda não estiver completamente cremosa, triturar com a varinha mágica. 
| Pôr uma das metades do bolo no prato de servir.
| Cobrir com um pouco de creme e espalhar bem. 
| Colocar no topo a segunda "camada" de bolo.
| Espalhar a cobertura por todo o bolo, incluindo as laterais. 


Este bolo é um clássico dos blogs de língua inglesa, e pelos vistos com razão :) o bolo até podia ser comido sozinho, mas com o creme é outro nível... 
Descobri recentemente o quão bom é Philadelphia com passas, e esta é uma cobinação (quase) semelhante. A cobertura fica muito cremosa, doce e leve e contrasta bem com o bolo, que é relativamente denso (mas não pesado) e muito aromático, com uma textura húmida de bolo de cenoura. Toda a gente da minha família mais próxima reprova bolos com cobertura, sendo de destacar a criadora do melhor pudim de sempre, mas depois há algumas que sobrevivem ao escrutínio. Como esta. 
Também é muito fácil de fazer. Eu cortei com um fio "afiado" e fiquei maravilhada com as minhas capacidades fora do normal para cortar bolos em duas camadas. É de processo tranquilo e muito simples :) 


sábado, 24 de janeiro de 2015

Bolo de Laranja com Cenoura e Courgette (Saudável, Integral, Sem Glúten, Sem Lactose, Sem Açúcar Adicionado, Sem Gordura Adicionada)



Muitos dos utensílios de cozinha que tenho não foram comprados por mim, mas fornecidos por uma família próxima que não acha que fazer bolos é divertido (idiotas).
A minha batedeira tem 50 anos, veio da Alemanha (não é preciso fazerem os cálculos, juro que não tenho na família antigos chefes nazi) e ainda funciona perfeitamente bem (tirando os sons de porco moribundo na 1ª velocidade, que são obviamente desprezáveis). Tenho umas 50 formas de bolos e outras tantas de pudim. Tenho um queimador de leite creme apodrecido que nunca foi usado porque, na opinião dos meus queridos parentes, «o leite creme é bom assim»*. Tenho uns 50 rolos de película aderente que são de uma promoção que houve uma vez no Feira Nova (!).
E tinha um lindo e velho moinho de café da Moulinex, que usava para tudo menos moer café: fazia farinha de aveia e de frutos secos, açúcar em pó, no período pós falecimento do meu processador triturava meio quilo de bolacha digestiva para cheesecake (que saudades destes momentos divertidos) e fazia manteiga de amendoim (é tudo verdade menos a parte da manteiga de amendoim, fazer manteiga de amendoim num moinho de café seria estúpido).
Eu e o meu moinho corríamos juntos pelos campos verdejantes a cantar «olaré hi ho», fazíamos scones de aveia e muitos, muitos cheesecakes deliciosos.
Até que, num triste dia cinzento, o moinho, sentindo-se a fraquejar, começou a segregar uma pasta negra puré-de-resíduos-nucleares e a fazer sons de porco moribundo (padrão não muito encorajador).
RIP, moinho de café.
Espero que vás para o inferno por falhares a meio deste bolo e me obrigares a fazer 200g de farinha de aveia com a varinha mágica.

*Eu sou do contra, portanto esperem uma receita de crème brûlée brevemente.






Bolo de Laranja com Cenoura e Courgette (NÃO bolo de vegetais. Nem de sopa.)
Para 1 bolo grande
Adaptado daqui

Ingredientes:
[  200g de courgette descascada e ralada
[  100g de cenoura ralada
[  Raspa de 2 laranjas (2 colheres de sopa)
[  Sumo de 2 laranjas (300ml)
[  80g de mel
[  3 ovos M
[  200g de farinha de aveia
[  1 pitada de sal
[  1 colher de chá de canela (ou a gosto)
[  1/4 colher de chá de cravinho (ou a gosto)
[  1/2 colher de chá de noz moscada (ou a gosto)
[  2 colheres de chá de fermento em pó

Preparação:
| Colocar num recipiente a courgette e cenoura raladas, a raspa e o sumo de laranja e o mel.
| Separar as claras das gemas. Colocar as claras no recipiente de uma batedeira elétrica e as gemas no recipiente com courgette, mexendo bem.
| Colocar num outro recipiente grande a farinha de aveia, o sal, as especiarias e o fermento. Adicionar o preparado líquido e misturar.
| Bater as claras em castelo com uma batedeira elétrica e envolver, cuidadosamente e aos poucos, na mistura anterior.
| Colocar numa forma antiaderente e levar ao forno pré-aquecido a 180º durante cerca de 30 minutos.





Este bolo é delicioso! Já o tinha feito várias vezes há imenso tempo, mas seguindo a receita normal. Desta vez tentei fazê-lo mais saudável, sem farinha refinada nem açúcar, alterando mais algumas coisas. Até estava um bocado receosa, mas ficou fantástico! 
É extremamente aromático. A textura é muito fofa e húmida... A minha mãe adora, é dos bolos preferidos dela. 
Tanto como sobremesa como como bolo de pequeno-almoço (conceito que acho reconfortante MAS um bocado estranho. Normalmente não se come bolos ao pequeno-almoço. Quem comer bolos ao pequeno-almoço tem de tentar adequar a essência do alimento à altura do dia?) funciona muito bem, especialmente com iogurte em cima. Com chá torna-se numa 'comida' muito confortável!
Os vegetais não se sentem de todo; conferem só uma textura deliciosa. 
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Informação Nutricional (por 1 fatia em 15)
Energia: 95kcal 
Proteínas: 3.2g
Hidratos de Carbono: 17.1g
-       Dos quais açúcares: 6.9g
Lípidos: 1.8g
-          Dos quais hidrogenados0g
Fibra: 1.8g
Sódio: 32mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 1 fatia, aproximadamente 76g ou 1/15 da receita). Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real. 
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sábado, 17 de janeiro de 2015

Éclairs de Café (com creme de pasteleiro de café)


Tenho vindo a perceber que algumas ideias que muita gente tem não têm fundamento que não a vontade de acreditar.
(Não, não é uma crítica à religião.)
Acho que o biológico não sabe necessariamente melhor e que nem tudo o que é biológico é saudável. Que nem sempre o que é caseiro sabe melhor. Que os produtos por não terem glúten não se tornam magicamente os melhores amigos da saúde. Que a complexidade de uma receita nem sempre a faz melhor (e, em contrapartida, que nem sempre uma receita ter poucos ingredientes a torna boa). Que as sobremesas pouco doces não são maravilhosamente saudáveis.
Admito que eu mesma vou sendo vítima desta espécie de dogmas. Mas de cada vez que como uma maçã biológica ou um pão de padaria, leio os ingredientes de bolachas sem glúten, vejo um pão de ló a desaparecer  ou admiro a quantidade de gordura de alimentos sem açúcar (re)descubro a sua idiotice.
A cobertura tradicional dos éclairs parece ser uma chávena de café e meio quilo de açúcar, e as ideias pré-concebidas de que coisas tão básicas e cheias de açúcar não são boas levaram-me a procurar uma opção alternativa. Talvez não fique tão bonito, mas delicioso ficou.
Nunca pensei perder em casa.  Mas parece que está um a um, fixações irracionais.
Por agora...








Éclairs de Café (Com creme de pasteleiro de café)
Éclairs aqui, creme de pasteleiro adaptado daqui e cobertura adaptada daqui
Para 22 éclairs pequenos

Ingredientes:

Para os éclairs:
[ 110g de manteiga
[ 240ml de água
[ 1 colher de chá de açúcar
[ 1/2 colher de chá de sal fino (omitir se se usar manteiga com sal)
[ 145g de farinha
[ 4 ovos L (à temperatura ambiente)
[ 1 clara de ovo (se necessário)

Para o creme de pasteleiro de café:
[ 500ml de leite
[ 3 colheres de sopa de café solúvel
[ 4 gemas de ovo M
[ 100g de açúcar
[ 50g de amido de milho
[ 100g de natas para bater bem frias (ou a gosto)

Para a cobertura de café:
[ 1 colher de chá de café solúvel
[ 1 colher de sopa de água quente
[ 90g de queijo creme
[ 160g de açúcar em pó
[ 1 colher de chá de extrato de baunilha
[ 2 colheres de sopa de leite

Preparação:

Éclairs:
| Pré-aquecer o forno a 220 graus.
| Forrar 2 tabuleiros (de preferência não pretos) com papel vegetal. Com uma régua e um lápis, traçar em cada tabuleiro 2 filas de 5 linhas parelas com 8cm de comprimento, distribuindo-as de modo a deixar o máximo de espaço entre cada uma. Virar a folha ao contrário.
| Cortar a manteiga em pedaços pequenos (com cerca de 1 centímetro de lado).
| Num tacho médio-pequeno, juntar a manteiga, a água, o açúcar e, se necessário, o sal.
| Levar ao fogão, a lume médio.
| Retirar assim que ferva (a manteiga deve estar completamente derretida).
| Retirar do calor e juntar a farinha toda de uma vez, misturando rapidamente com uma colher de pau.
| Devolver ao lume, desta vez médio-alto.
| Deixar cozinhar sem parar de mexer, durante cerca de 3 minutos. Deve formar-se uma película de massa agarrada no fundo do tacho, e o resto mistura deve descolar-se da panela.
| Transferir para o recipiente da batedeira.
| Bater na velocidade mínima da batedeira elétrica durante 1 minuto.
| Deixar arrefecer durante uns minutos.
| Bater de novo durante uns segundos na velocidade mínima.
| Aumentar para a velocidade média.
| Juntar um ovo de cada vez, batendo muito bem entre cada adição (cada um dos ovos deve estar completamente incorporado antes da adição seguinte).
| A massa deve formar, após o toque rápido de um dedo, um pequeno "pico". Se tal não acontecer, bater levemente a clara opcional com um garfo e juntar aos poucos, sem parar de bater, até que o faça.
| Colocar a massa num saco de pasteleiro (com boca circular; para alternativa ver fim do post) e, nas linhas desenhadas ao longo dos tabuleiros, dispôr a massa em linhas espessas para formar os eclairs. Se necessário, alisar com um dedo húmido.
| Levar ao forno pré-aquecido durante 10 minutos, sem o abrir.
| Reduzir a temperatura do forno para 180 graus e deixar durante mais 25-30 minutos, até que os éclairs estejam dourados.
| Colocar numa grade até que arrefeçam completamente.

Creme de pasteleiro de café:
| Aquecer o leite e café num tacho até que fervam. 
| À parte, misturar com a batedeira as gemas, açúcar e amido de milho.
| Juntar lentamente um pouco do leite, em fio, às gemas, mexendo rapidamente.
| Bater um pouco e adicionar o resto do leite, em fio, até acabar, batendo sempre. 
| Coar para o tacho e levar ao lume novamente, até que a mistura comece a engrossar.
| Assim que começar a formar grumos, baixar o lume, mexer rapidamente até que fique cremoso.
| Quando estiver espesso e cremoso, retirar do lume. 
| Transferir para um recipiente, cobrir com película aderente e deixar arrefecer completamente.
| Refrigerar. 
| Antes de rechear os éclairs, bater as natas em chantilly.
| Juntar um pouco de natas batidas ao creme e envolver.
| Juntar o resto aos poucos até obter a consistência desejada. 

Cobertura de café:
| Misturar o café solúvel com a água quente e mistrar até dissolver.
| Derreter o queijo creme e misturar até ficar incorporado.
| Juntar o açúcar em pó e misturar lentamente.
| Adicionar o extrato de baunilha e o leite e envolver.
| Se necessário, juntar mais açúcar em pó (caso esteja demasiado líquido).

Montagem:
| Com um saco de pasteleiro, rechear os éclairs com o creme de pasteleiro de café (já tentei com uma saca de plástico e não resulta tão bem como pode parecer).
| Mergulhar o topo dos éclairs na cobertura.
| Levar ao frigrífico.



Posso honestamente dizer-vos que estes são os meus éclairs preferidos! Juntamente com os de manteiga de amendoim. E os de maracujá. A culpa não é minha, são todos tãão bons!
São iguaizinhos a uns (também de café) muito bons que eu me lembro de comer há uns tempos. O creme de pasteleiro tem uma textura muito suave e um sabor delicioso, forte na medida certa, a café. Não é enjoativo (o café contribui para isso) nem pesado, é leve e muito cremoso. 
Como na maioria dos bons éclairs, a massa fina e fofa contrasta na perfeição com o recheio doce e fresco, o que faz com que os éclairs fiquem maravilhosos! Eu prefiro o recheio de creme de pasteleiro ao feito só de chantilly, apesar de ser um bocadinho mais trabalhoso.
As natas que são incorporadas no creme fazem-no ainda melhor e em harmonia com a parte de fora. Chama-se «creme diplomata» a um creme assim misturado, mas «creme de pasteleiro» é mais giro (e o creme é-o durante a maior parte da sua existência, porque sei por experiência própria que depois de pronto não dura muito!).
A cobertura ao fazer pareceu-me carecer daquela cor característica de café e de opacidade, mas acho que o sabor compensa, é muito agradável! Se preferirem podem usar cobertura de chocolate, mas o chocolate acaba por dominar um bocado e ofuscar o sabor a café, que eu prefiro que impere.
Não aconselho a fazer o creme de pasteleiro com muito tempo de antecedência, acaba por ficar muito líquido. Aguenta bem um dia ou dois, mas mais do que isso não convém, para além de que a percentagem comida à colher aumenta exponencialmente com o aumento de tempo até ao uso...
Caso sobrem, podem sempre ir dar uma corrida e usá-los como colete refletor... Apresento-vos um dos candeeiros de minha casa :P


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Antes e Depois #3: Cupcakes de Kinder Bueno


Ainda não tinha publicado aqui, mas tenho de o fazer PORQUE cupcakes de kinder bueno. E porque são a minha transformação favorita. 


Receita aqui.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Panquecas de Aveia (Saudável, Sem Glúten, Sem Açúcar Adicionado, Sem Gordura Adicionada, Sem Lactose)


Eu não sou grande fã de preciosismos de linguagem. Acho algumas vezes as correções pormenorizadas e exaustivas do hábito um exagero, e apesar de (principalmente na escrita, tanto em português como em inglês) alguns erros me fazerem arrepios não condeno tanto assim quem comete erros frequentemente (se bem que com o pretérito imperfeito do conjuntivo ou colocações de pronomes a coisa se torna mais pessoal). Vejo a língua mais como uma ferramenta do que como objecto de adoração - não digo que desde que se compreenda tudo está bem, apenas que há coisas mais importantes (e definidoras da pessoa).
Acho que até escrevo e falo com correção (especialmente se não o fizer à pressa), mas sinceramente reparos feitos quanto a esses erros de outros nunca me parecem oportunos, pelo menos quando as pessoas não são muito íntimas (ou professores de português). Isto já vem das regras de convívio - não é propriamente aceitável criticar os outros na cara passivamente (estando em ativamente inseridas discussões de supermercado, que até são divertidas), por mais frontalidade pretensiosa que se procure ter ou louvar. 
Mas o limite dos erros trata-se da consciência de que crepes e panquecas NÃO são a mesma coisa. E quem contrariar isto arrisca-se a um tabefe de baguette. 
(Isto torna-se sério quando se vê «crepe maker» e «máquina para panquecas» NA MESMA EMBALAGEM. Comparado a isto chamar «molho» a «chocolate pudding» é delito menor.)
Isto é como sólidos e líquidos: os crepes espalham-se pela frigideira e adquirem a forma dela, as panquecas ficam no meio, bem gordinhas e a borbulhar do fermento (preferencialmente fora do caldeirão de uma bruxa, mas deixo ao critério).
Os crepes são menos doces e comem-se com Nutella, as panquecas são doces e comem-se com maple syrup.
Os crepes são franceses e as panquecas são tipicamente americanas.
E deliciosas.
Também são deliciosas.






Sem banana
Panquecas de Aveia
Adaptado daqui
Para 10 panquecas pequenas

Ingredientes:
[  25g de farinha de aveia
[  10g de sementes de linhaça em pó
[  100 ml de claras (cerca de 3 claras)
[  1 ovo
[  1/4 de colher de chá de fermento
[  25g de banana (1/4 de banana) (opcional)
[  Canela (opcional)
[  Cravinho (opcional)
[  Noz moscada (opcional)

Preparação:
| Triturar todos os ingredientes com a varinha mágica.
| Fazer as panquecas numa frigideira anti-aderente.
| Deixar arrefecer numa grade (se não gostarem de ficar com o prato húmido).


                                 


Sem banana parte II
Eu nunca pensei vir a ter uma, mas esta é a minha go-to receita de panquecas. É muito rápida e simples, descolam mesmo bem da frigideira, ficam deliciosas e são uma tela perfeita para chocolate negro! Nunca demorei tão pouco tempo a fazer panquecas...
Gosto de as fazer pequeninas por inspiração da receita original E porque é giro comer um monte de mini panquecas. Ficam altas o suficiente e muito fofas, com uma textura fresca (é estranho, mas é mesmo uma textura fresca). Não são muito doces como panquecas normais, mas sabem bem: a tríade de especiarias fá-las deliciosamente aromáticas: e têm um cheiro mesmo agradável! 
Originalmente não levavam banana nem fermento, mas experimentei pôr um bocadinho e achei que  fazia uma diferença enorme - ficam mais altas e com mais ar de panquecas. Nas fotos podem ver a diferença entre a.B. e d.B. :)
Supostamente isto eram crepes. Eu até percebo a ideia - não são muito doces e eram baixinhas. Mesmo assim, para mim isto nunca será mais (nem menos) do que panquecas, o que já é mais do que aquilo de que muitos de nós se podem orgulhar. 
(Para mim o crepe de polvilho já é um dilema enorme, e ele tem o diâmetro da frigideira.)

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Informação Nutricional (por 1 panqueca pequena)
Energia: 27kcal 
Proteínas: 2.2g
Hidratos de Carbono: 2.1g
-       Dos quais açúcares: 0g
Lípidos: 0.9g
-          Dos quais hidrogenados0g
Fibra: 0.5g
Sódio: 17mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 1 panqueca, aproximadamente 20g ou 1/10 da receita) e não inclui ingredientes opcionais. Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real. 
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sábado, 3 de janeiro de 2015

Tarte de Flan (Flan Pâtissier)


Todas as noites a minha irmã transporta um copo de água pelas escadas, para o pôr em cima da mesinha de cabeceira durante a noite. Numa noite, enquanto dormia, deu uma patada no copo, que caiu da mesinha de cabeceira (com cerca de 1 metro de altura). Ouviu o copo cair no chão mas, com a preguiça, decidiu só limpar no dia seguinte. Quando acordou estava prestes a fazer isso quando reparou que o copo estava no chão.
De pé.
Com a água toda dentro.
(Salpicos omitidos por motivos dramáticos.)

***

Num belo dia de sol eu e a minha irmã decidimos fazer tarte de flan. 
Era de manhã quando começamos a fazê-la, e correu mal desde o início: a massa da base não ficou moldável, era granulosa e não estava  fina ou uniforme. 
Levamos a base ao forno e entretanto fizemos o recheio, que ficou todo engrumado; no meio do pânico e da vontade de deitar tudo fora, esquecemo-nos da base (que, já agora, estava enqueijada e revelhida, lembrava uma cabeça encolhida e cheirava a queijo com bolor) no forno. 
Depois de continuar a mexer o recheio ele ficou mais cremoso, e pudemos finalmente pô-lo na base diabólica, que ficou demasiado baixa E com bordas não niveladas. Levamos ao forno, e logo a seguir reparámos que nos tínhamos esquecido do último ingrediente. 
50 minutos e uma lavagem de panela pegajosa depois, quando tiramos a tarte do forno, pudemos observar, onde deveria estar uma tarte de flan, um balão feio e cinzento. O padrão não estava uniforme. O recheio parecia demasiado líquido.
Pusemo-la no congelador atolado, e passado algum tempo a minha irmã foi ver como estava. 
Miraculosamente, ATÉ PARECIA BOA. 
E então, em câmara lenta e com um "NÃÃÃO" grave e sonoro, escorregou. 
Gostava de poder dizer que a física voltou a congeminar para a aterragem perfeita, mas a tarte deu uma maravilhosa volta de 180º e esborrachou-se graciosamente no meio do chão, onde se partiu num monte de pedaços juntamente com o meu fragilizado coração.
Depois de inspirar Munch e considerar mudar de casa só para não enfrentar a materialização da minha desilusão apanhei as desoladoras peças. Dei um bocado à minha avó (o chão estava limpinho, já agora).
E ESTAVA BOM.
Apesar das emoções fortes saí para uma corrida (que, já agora, contrariou todas as ideias sobre produtos lácteos e exercício aeróbico). Quando mais tarde cheguei a casa, uns pássaros beliscadores de comida elevaram a divino o nível de deliciosidade da tarte. 
E esta é a história de uma tarte que já fiz umas 20 vezes, desta feita com massa quebrada ou folhada e deixada a arrefecer numa mesa idilicamente plana, o que tem sido eficaz na diminuição da taxa de tartes dilaceradas.
Ou de como a gravidade é careta*. 

*adjetivo maravilhoso recentemente redescoberto, assim como um site para download de «Os Miúdos do Recreio».









Tarte de Flan (Flan Pâtissier)
Adaptado daqui
Para uma tarte, cerca de 8 fatias gigantes ou 16 pequenas

Ingredientes:

[  1 embalagem de massa quebrada ou folhada redonda
[  1L de leite gordo
[  400ml de natas
[  2 vagens de baunilha
[  3 ovos M
[  2 gemas de ovo (M)
[  180g de açúcar
[  130g de amido de milho
[  3 colheres de sopa de vinho do porto (ou rum)

Preparação:

| Abrir a massa e forrar com ela uma forma redonda de fundo amovível com cerca de 25cm de diâmetro.
| Furar muito bem toda a massa com um garfo.
| Nivelar e ajustar as bordas.
| Juntar num tacho grande o leite e as natas.
| Abrir as vagens de baunilha e raspar o interior para o tacho. Colocar também a própria vagem.
| Levar a lume médio, mexendo de vez em quando.
| Quando fervilhar, desligar o lume e coar para um recipiente
| Bater num recipiente à parte os ovos, as gemas e o açúcar com uma batedeira elétrica (na velocidade máxima) até aumentar de volume e ficar uma mistura mais pálida e esbranquiçada (demora cerca de 5 minutos).
| Peneirar para o creme de ovos o amido de milho. Bater com a batedeira na velocidade mínima, apenas para incorporar.
| Juntar o leite e natas ao preparado dos ovos, mexendo rapidamente com uma vara de arames (para não cozer).
| Colocar a mistura no tacho de novo e levar a lume médio. Mexer rapidamente sem parar (raspar bem o fundo).
| Quando começar a engrossar e a formar alguns grumos, diminuir o lume e mexer bem, rapidamente, até que se forme um creme espesso (cerca de 6 minutos no fogão).
| Incorporar o vinho do Porto/rum.
| Retirar do calor e mexer vigorosamente com uma vara de arames até que a mistura fique bem cremosa.
| Colocar na forma preparada e alisar.
| Levar ao forno pré-aquecido a 180 graus durante aproximadamente 50 minutos.
| Deixar arrefecer completamente.
| Se desejado, levar ao frio algumas horas antes de servir. Se não, manter à temperatura ambiente,




Só aconselho a fazer esta tarte a quem não se importe de ter toda a gente que a provar a pedir um exemplar em cada ocasião que envolva comida, porque isto é uma espécie de maldição. Passei umas 5 semanas consecutivas a só fazer tarte de flan como bolo, e parei porque já estava a precisar de variedade (sim, porque por vontades exteriores à minha pessoa continuava até não haver natas à face da Terra).
A tarte fica com um sabor baunilhado mesmo agradável, uma característica película superficial e aquele toquezinho de culinária francesa. Pessoalmente gosto mais dela à temperatura ambiente, já que fica com uma textura mais cremosa e um sabor mais forte um bocado (talvez também seja por estar um frio de morrer).
Fica melhor do que eu alguma vez sonharia e muito parecido com os das pastelarias, com o padrão, a película superficial e a massa fina. Quando começa a engrossar fá-lo através de uma espécie de alastração de grumos (como cada um dos 50 tipos de creme de pasteleiro que já fiz - aliás, o procedimento é bastante semelhante), mas basta continuar a mexer (às vezes cansa um bocado) que fica bem cremoso. O que me assustou quando saiu do forno é normal - parece inchado, mas depois assenta e faz aquelas dobras adoráveis em cima, assim como aquela espécie de mancha escura. Tendo em conta isto e o atalho da massa pré-feita acaba por ser muito simples (mas o tacho sujo mantém-se).
As fatias desta «tarte» são geralmente muito grandes, mas também já cortei em 16 e até dá mais jeitinho para pegar.
Isto é o alimento preferido da minha avó - a sério, é uma paixão. Fiz no Natal e quase era obrigada a repetir no ano novo.  É uma tarte-manipuladora-de-massas (pena que não manipulou a primeira).
Também é extremamente agradável que esteja em quantidades certinhas - das primeiras vezes que fiz fiquei com pacotes de natas e leite gordo a passear no frigorífico, mas adaptei-a aos pacotes de coisas e isso já não acontece.
Fazer a receita é mesmo engraçado, porque 1. bater ovos com açúcar até engrossar é SEMPRE agradável, 2. nunca é demais relembrar o quão opaco o leite gordo é e 3. raspar a panela :)
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