domingo, 24 de abril de 2016

Pudim de Café

Em determinado Natal a minha mãe decidiu fazer um bolo de bolacha. Eram lendários, os seus bolos de bolacha - segundo contam os rumores, incomparáveis a qualquer outra mera versão da sobremesa. Talvez por motivo de anos sem prática, o tal bolo levou uma quantidade exagerada de natas e eventualmente desabou, proporcionando nada elegantes ou sequer dignas colheradas retiradas sem misericórdia das pobres ruínas de um bolo semi-desmanchado. Que, diga-se a verdade, era bem bom.
Quem sabe por motivos inerciais, no ano seguinte deu-me para fazer cheesecake de mirtilo para o Natal. Toda a gente gostava de cheesecake, e assim sendo... Porque não? 'Porque depois tens de transportar o cheesecake de carro por zonas bastante acidentadas' (não passo o Natal em minha casa), poderá ter gritado alguma recôndita vozinha interior. Mas eu não prestei atenção.
Caso alguma vez pensem em fazer uma estupidez coisa destas, deixem-me ser a vossa recôndita vozinha interior - transportar um cheesecake de carro por zonas bastante acidentadas não é boa ideia. Especialmente se por alguma razão decidirem retirar os lados da forma de fundo amovível em que o fizeram e colocá-lo num prato escorregadio. Por muito estranho que pareça.
No ano seguinte (há dois anos) a coisa melhorou - fiz um pudim de café, bastante mais fácil de transportar. Ainda assim, é óbvio que não seria a mesma coisa se não aumentasse o nível de dificuldade, pelo que o desenformei antes de seguir viagem (em minha defesa, tinha de tirar fotografias porque pretendia publicar a receita em breve, coisa que pelos vistos não aconteceu). Entretanto já dominei a arte de reenformar pudins, bastante exigente em termos de competências mas por sinal útil para quem tem blogs de culinária. O pudim foi um sucesso, apesar das reticentes reações iniciais ('pudim de café? Isso é tipo... Um pudim que tem café?'), mas isso não o impediu de cair no esquecimento. 
A partir daí nunca mais o fiz. Embora repetisse regularmente a receita de pudim de ovos e bebesse café, não voltei a juntar os dois elementos tão cedo - até à passagem de ano do ano passado, quiçá entrando na vibe das reuniões devido a outras anunciadas (Guns n' Roses anyone?), quando os juntei novamente (sou o Steven Tyler dos pudins de café). E aqui está a prova.






Pudim de Café
Adaptado daqui

Ingredientes:

Para o caramelo:
[  200g de açúcar

Para o pudim:
[  625ml de leite
[  1 colher de sopa bem cheia de café solúvel
[  7 ovos
[  200g de açúcar
[  1 colher de sopa de farinha

Preparação:

Para o caramelo:
| Peneirar o açúcar para um tacho, fazendo uma camada uniforme.
| Levar a lume médio-baixo até que o açúcar nos cantos comece a derreter.
| Com uma colher de pau, ir puxando o caramelo dos cantos para o centro.
| Assim que esteja tudo líquido e no tom de caramelo desejado, colocar na forma (verter para a saliênca central) e rodá-la de forma a cobrir toda a superfície.

Para o pudim:
| Aquecer o leite. 
| Colocar o café em pó numa malga à parte e juntar um pouco do leite quente, mexendo bem para dissolver. Adicionar ao restante leite.
| Misturar o açúcar com a farinha num recipiente grande. Acrescentar os ovos e bater para incorporar.
| Juntar o leite, mexendo sempre. 
| Colocar na forma caramelizada e levar ao lume em banho maria (num tacho grande com água até cerca de  metade da altura) durante 50 minutos ou mais (até estar cozido).
| Deixar arrefecer completamente antes de desenformar. 



Já disse que foi um sucesso, não já? Fica uma óptima sobremesa - fresca, ideal para o Verão e muito agradável. A textura consistente e cremosa do pudim combina lindamente com o sabor a café, que fica sempre delicioso em doces. Além disso, é muito simples de preparar e pode ser feita com antecedência, tendo ainda eficácia garantida com o 'público' - típico de pudins. Este e o normal são já marcos por aqui ;) 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Livros #1 - Desporto e Alimentação Saudável (Fnac)

No dia do livro, celebrado amanhã, dia 23 de Abril, a Fnac vai ter 20% de desconto direto em todos os livros (espero não ter provocado nenhum ataque com esta revelação tão inesperada do tipo de produtos em desconto). 

A Fnac, a propósito desta iniciativa, convidou-me a partilhar com vocês alguns livros relacionados com um estilo de vida saudável. A maioria dos que tenho são literários, mas é inegável que alguns com aplicações práticas podem ser bastante úteis, e já tenho algumas aquisições em mente (além de alguns em posse)!

Assim sendo, aqui está uma publicação com alguns livros que eu considero interessantes e potenciais boas compras - alguns que eu tenho, outros que não tenho mas me parecem bons (ou sobre os quais já li opiniões positivas e que gostaria de ler).

Tentei escolher livros com abordagens diferentes sobre o mesmo tema porque acredito que a escrita neste tipo de livros sobre o estilo de vida costume ser tendenciosa (seja em menor grau ou inclinando-se para um puro brainwashing) e não será boa ideia tomar decisões baseadas num livro apenas (ou num documentário, por exemplo). Parece-me sempre bom contactar com perspetivas diferentes de forma a evitar a dogmatização, dentro do possível.

De ressalvar que este post é algo publicitário, mas os livros que aqui estão foram escolhidos por mim por os achar realmente pertinentes, adequados ao blog e com bases bastante sólidas (por isso não façam scroll à espera de encontrar a 'Dieta dos 31 Dias' :P). As descrições também foram escritas por mim, tendo em consideração o que eu li dos próprios livros ou as opiniões e descrições que encontrei online (acho que as escolhas foram bastante fundamentadas, visto que coloquei algum tempo de pesquisa nisto).

Basta carregar na imagem de um livro para o ver no site da Fnac, onde podem obter outras informações sobre ele (como preço, autores e sinopse) e eventualmente encomendá-lo.

Alimentação

A Dieta do Paleolítico
Não sei se já tiveram a oportunidade de contactar com o estilo de vida paleolítico (paleo para os amigos), mas imagino que sim, uma vez que nos últimos tempos tem havido um boom da sua popularidade. Este livro, escrito por um professor da Universidade de Colorado que estuda este assunto há mais de 20 anos, explica um bocado a abordagem associada à dieta, desde as bases históricas à alimentação que sugere. Desafiando conceitos básicos, como 'o leite faz bem' ou 'os cereais são necessários', o estilo paleo tem conquistado cada vez mais gente, pelo que atualmente se pode ver cada vez mais transformações mentais e físicas de sucesso pelas redes sociais que são resultado desta ideologia.

Alimentação Vegetariana Versus Alimentação Tradicional
Este é um livro recomendado pela AVP (associação vegetariana portuguesa). Defende uma alimentação vegetariana, dizendo que que esta pode ser saudável e equilibrada, ao contrário da crença popular. Sinceramente pareceu-me interessante, não só porque a perspetiva de aliar motivos éticos a benefícios em termos saúde é tentadora mas também porque, convenhamos, todos nós temos uma certa resistência natural (e utilizo aqui 'natural' referindo-me à influência do ambiente social em que vivemos, não a raízes biológicas) a este tipo de alimentação. Embora nunca tenha sido vegetariana, é um regime alimentar que considero muito válido.

O Fator pH
Defendendo uma dieta alcalina sem alimentos processados, a autora, Rita Boavida, defende que esta é a solução para vários pequenos problemas, desde cansaço a unhas fracas ou oscilações de humor e eventualmente excesso de peso, para quem o tenha. Este livro vem acompanhado de dezenas de receitas elaboradas de acordo com o prisma de que o pH demasiado baixo do sangue (acidez) é prejudicial e de que o que comemos deve ser escolhido de forma a equilibrá-lo.

Cérebro de Fibra
Podem reconhecer a primeira parte do título deste livro devido ao seu famoso primo, 'Cérebro de Farinha'. Apesar de os dois se encontrarem na mesma linha de pensamento (ou seja, o conteúdo é complementar e não contraditório), este trata mais particularmente da importância do equilíbrio da nossa flora intestinal, chegando ao (ambicioso) ponto de dizer que este será a chave para a cura de condições como o autismo e a demência. Este livro, como o são em maior ou menor grau todos os livros sobre alimentação que aqui coloquei, é assertivo e firme no ponto de vista, sugerindo que muitos dos males da saúde humana (incluindo depressões ou dores de cabeça) desapareceriam com a colocação em prática destes princípios.

Desporto

Nascidos Para Correr
Comecei a ouvir falar muito deste livro há uns tempos e entretanto tive a oportunidade de o folhear. Enquanto corredora (modesta e lenta, mas corredora) fiquei com curiosidade em relação a ele, e depois de ter tido a oportunidade de satisfazê-la posso concluir que o ponto de vista é muito diferente e cativante. O exemplo dado é o de uma tribo cujos membros têm uma saúde excecional e correm longas distâncias com frequência, com o pequeno detalhe de o fazerem descalços. É apresentada como solução para lesões a corrida sem calçado (ou com calçado minimalista), sendo a culpa destas atribuída às dispendiosas sapatilhas específicas para corrida - incluindo as de grandes marcas.

O Meu Guia de Yoga
Outro que me pareceu muito bom. Tenho algum interesse no yoga (admito, muito pelas acrobacias profissionais do avançado), e pode ser uma prática muito completa. Já fiz através de vídeos online de instrutores, mas parece uma ótima ideia adquirir conhecimentos do assunto de forma a poder praticar os exercícios de forma 'independente'. O livro inclui ilustrações giras e sugestões de 'rotinas' com duração variada, o que o torna uma óptima ajuda caso queiram treinar em casa por falta de tempo ou dinheiro.

7 Minutos Para Ficar Fit
Mais uma vez, se são daquelas pessoas que não fazem exercício por não ter disponibilidade este livro é para vocês. Tem 50 treinos intervalados de alta intensidade que duram apenas 7 minutos e podem ser feitos em qualquer lado, tendo como único material necessário uma cadeira e um relógio (e muita água - se já experimentaram fazer treinos intervalados de alta intensidade saberão do que estou a falar), com imagens e explicações detalhadas. Acho que é uma ótima ideia, assim a falta de tempo já não é uma desculpa e qualquer pessoa pode ter acesso a treinos rápidos, práticos e eficientes!

O Seu Treinador Pessoal
Tendo sido escrito por alguém com experiência e conhecimentos na área do desporto, acho que este livro é muito bom para quem quer praticar desporto independentemente mas não sabe muito bem como começar. É sempre um pouco problemático, até porque, por poder resultar em lesões, pode não ser aconselhável a prática de exercício físico 'às cegas' e sem acompanhamento (mesmo que este não substitua conselhos personalizados de um profissional). 'O Seu Treinador Pessoal' é muito variado, já que inclui desde exercícios para todas as partes do corpo (com fotografias para que o procedimento fique claro) a dicas para começar a correr, incluindo também conselhos em relação à alimentação, que é sempre um complemento importante.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Meio Milhão de Vizualizações (Obrigada!)

Lembro-me na perfeição do dia em que atingi as mil visualizações de página em 24 horas aqui no blog. Tinha feito bolo de banana no microondas (yum, bolo de banana no microondas) e ia viajar - ou antes, bem, andar umas horas de carro (não romantizemos com destinos idílicos). Quando parei numa estação de serviço fui, como boa viciada em novas tecnologias, dar uma vista de olhos pelo blog enquanto comia uma sandes de frango deliciosa.

(Pormenores relevantes para conferir realismo.)

Sabem aqueles mapas em que se vai tracejando o percurso de uma personagem - de desenhos animados, mais propriamente do coiote e do Bip Bip - com marcas esporádicas de quilometragem? Foi mais ou menos isso, apenas envolvendo 'views' e paragens com wi-fi.

Supreendi-me com cerca de 600 no início da tarde, algo pouco habitual, e elas cresceram anormalmente até ao final do dia, quando ultrapassaram largamente (margem de 200 conta?) o milhar. 

Já achei 100 visitas diárias uma boa média. Já aspirei às 500. Já fiquei feliz por atingir as 2000, surpreendida por totalizarem 3000 e assoberbada por serem 4000. 

Eu não criei o blog com o intuito de que fosse popular, e soberba seria dizer que o é. Tenho noção de que os números são, para todos os efeitos, modestos. Ainda assim, acho que não há como não ficar satisfeita com o progresso mensurável, tanto a nível de visitas como de interação. Relatos de amor por receitas publicadas, pedidos de esclarecimentos em relação a procedimentos ou produtos, questões ou 'simples' elogios ao conteúdo do blog através das redes sociais - tudo isto tem aumentado exponencialmente de forma a não poder não ficar contente com uma resposta de tal modo crescentemente positiva. 

Hoje o blog atingiu o meio milhão de visualizações. Contamos com mais de 10.000 seguidores no IG e de 12.000 gostos no Facebook; o número de seguidores do site está prestes a perfazer os 500. Sei que sou desnaturada com marcos (como o aniversário do blog, que não assinalei, entre outros), mas este fica aqui: quem sabe, para ler daqui a um ano e pensar 'pff, 500.000'. 

Embora o texto possa ter ficado algo pomposo (eventualmente escrito num tom 'megalómano' em demasia), sei que o número não é excepcional e que o blog não tem anormal exposição. Sei também que há inúmeros que o superam, tanto em conteúdo como em estatísticas. O objetivo é, na realidade, deixar uma nota, até porque não nos devemos perder demasiado na relativização de resultados obtidos; para além disso, toda a gente gosta de números redondinhos. 

Assim sendo, não podia deixar de agradecer por cada comentário ou leitura silenciosa, pelas inúmeras aprovações ou críticas construtivas que me foram transmitidas. Cada 'partilha' de bolo (generalização justificada, acreditem) feito ou opinião tornou a experiência mais gratificante. Devido às várias mensagens diárias que recebo, escritas por quem testou alguma das receitas ou quer deixar palavras de apreço pelas publicações desenvolvidas, encontro-me cada vez mais satisfeita com o feedback que me chega.

Olhando para o gráfico de visualizações (correndo o risco de soar aprisionada a estes dados, são de facto uma óptima avaliação do retorno), fico agradada por este blog, com receitas publicadas tão esporadicamente, criado por alguém sem nenhum talento excepcional, ter podido ter uma evolução, ainda que seja esta humilde - nunca é de mais reforçar -, desta forma tão compensadora. 

De certa forma, o trajeto do blog é como que uma extensão daquele dia de saltos entre cafés e consultas ao blogger.

E vocês são a sandes de frango ;) 

sábado, 16 de abril de 2016

Empadão de Abóbora e Batata-Doce (Saudável, Sem Glúten, Sem Lactose)


Como qualquer pessoa, já comi em várias cantinas ao longo dos anos. Não sou muito esquisita com a comida, tanto que no geral, apesar da má fama, até não acho que seja assim tão má em cantinas (dentro da minha experiência). Isto, como é óbvio, dá-me o direito de julgar de forma negativa as que são realmente merecedoras de tal - e a única que justifica a exerção do meu auto-atribuído poder judicativo de cantinas é... A da minha escola do 3º ciclo.
Quando pela primeira vez que comprei senha para lá almoçar vi a ementa para o dia, onde estava escrito o prato principal: empadão. Na altura ainda não tinha provado nada semelhante, e assim sendo, fiz o que qualquer pessoa com raciocínio razoável faria: julgar a comida pelo nome. Dividida entre o som rudimentar e a hilaridade desse mesmo som, decidi-me pela segunda. Formulei então o meu inocente pensamento oficial: 'Bem, uma coisa com um  nome engraçado não pode ser assim tão má'. Mas podia.
Eventualmente chegou a tal hora de almoço, juntamente com um prato de empadão com um cheiro e sabor tão semelhante a plasticina e lixo que deitou completamente por terra a minha teoria sobre o som das palavras - teoria essa que, alvo de tal trauma, nunca mais veio a ser utilizada.
Felizmente para a reputação do empadão, uns tempos depois provei, em casa, empadão normal e muito melhor, com direito a padrão feito por um garfo (qual ancinho) que, como todos sabemos, torna qualquer prato de forno mais adorável. Mais tarde, provei um empadão melhor ainda de batata-doce e abóbora, que podem julgar por vocês. Senhores que fazem comida para cantinas: aprendam comigo.






Empadão de Abóbora e Batata-Doce (Saudável, Sem Glúten, Sem Lactose)
Para 4 pessoas

Ingredientes:

Para o recheio de carne:
[  Azeite
[  400g de peito de frango (ou peru) picado
[  Sal (a gosto)
[  Orégãos (a gosto)
[  Pimentão doce (a gosto)
[  Paprika (a gosto)
[  1/2 cebola
[  3 dentes de alho
[  100ml de molho de tomate

Para o puré:
[  200g de batata-doce crua (150g depois de cozida)
[  500g de abóbora manteiga crua (400g depois de cozida) 
[  Sal (a gosto)

Preparação:

Para o recheio de carne:
| Numa frigideira antiaderente ou wok em lume baixo, cozinhar o frango picado num pouco de azeite. Temperar com sal, orégãos, pimentão doce e paprika e escorrer qualquer líquido. Reservar.
| Na mesma frigideira/wok (sem o frango), colocar um fio de azeite juntamente com a cebola e os dentes de alho previamente picados.
| Assim que a cebola estiver translúcida, adicionar a carne anteriormente cozinhada (podem cozinhar a carne só neste passo, mas eu prefiro assim) e o molho de tomate, misturando.

Para o puré:
| Cozer a batata-doce e a abóbora com uma pitada de sal. Escorrer a água e triturar ambas, adicionando mais sal se necessário.

Para a 'montagem':
| Colocar metade do puré no fundo de um tabuleiro pequeno. Cobrir com o recheio de carne e finalizar com o resto do puré.
| Levar ao forno pré-aquecido a 200 graus até que toste ligeiramente. Se quiserem que fique tostado podem pincelar com uma gema de ovo.



Eu sempre 'temi' que puré de batata doce pudesse ficar estranho porque, bem... Puré doce? Mas fica muito bom! O contraste é óptimo, e não fica estranhamente adocicado: primeiro porque batata doce é o melhor alimento de sempre, e depois porque combina deliciosamente bem com o recheio. Guardado no frigorífico ou congelado, pode servir perfeitamente para umas refeições da semana preparadas com antecedência - talvez fique ainda melhor aquecido, embora seja difícil dizer por ser maravilhoso de ambas as maneiras ;)
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Informação Nutricional (por 1 dose)
Energia: 231kcal
Proteínas: 24.8g
Hidratos de Carbono: 27.3g
-       Dos quais açúcares: 3.4g
Lípidos: 3.6g 
-          Dos quais hidrogenados: 0.0g
-     Dos quais saturados: 0.9g
Fibra:  4.0g
Sódio: 281mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a cerca de 320g, 1 dose, 1/4 da receita). Os valores estão sujeitos a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverão estar próximos do valor real. 
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domingo, 10 de abril de 2016

Pataniscas (Saudável, Sem Glúten/Lactose, Sem Gordura Adicionada, Paleo)


O dia do meu aniversário começou normalmente. Fui correr de manhã, o resto do dia passou-se de acordo com o costume e ao fim da tarde decidi que ia fazer para o jantar chips de batata-doce e pataniscas, numa versão saudável que andava a magicar há uns tempos. Depois de preparar as batatas e as colocar no forno enquanto o bacalhau cozia, fui ver um episódio de uma série televisiva até se aproximar a hora do jantar - e foi mais ou menos quando este se estava a tornar interessante que falhou a luz. 
Eu não sou uma daquelas pessoas que ligam muito ao dia dos anos. Aliás, acho que a minha coisa relacionada favorita são os brilhantes versos 'No tempo em que festejavam o dia dos meus anos / Eu era feliz e ninguém estava morto'.
Deste modo, não 'canto' os parabéns no próprio dia - como não sou de superstições costumo fazer um bolo no fim-de-semana mais próximo e festejar aí. Assim sendo, na centésima vez que voltei a ligar a eletricidade no quadro e esta voltou a ir abaixo não pude deixar de associar isto a um grito mudo do Universo a dizer-me que não era opcional fazê-lo no próprio dia. E eu sem velas (que, já agora, teriam sido extremamente úteis quando começou a escurecer). 
Depois de me render às evidências e desistir, esperei resignadamente por alguém mais competente enquanto jantava iogurte (admito que o forno é a gás, mas não me apetecia cozinhar às escuras :P), revia o primeiro episódio do Death Note, a única coisa de jeito que tinha disponível no computador sem internet, e me perguntava como era possível alguém ter vivido sem eletricidade.
Por fim, removi o triste tabuleiro de chips de batata-doce ainda moles e já frias do forno e, às escuras, empilhei-as num prato, para poder tirar fotografias e publicá-las no facebook no dia seguinte, quando as comesse aquecidas no meu amado e indispensável microondas (como te adoro).
Só no dia seguinte, com o problema resolvido, aqueci as batatas e cozinhei as pataniscas, tendo ficado ambas deliciosas. Sem falhas de luz que o impedissem...






Pataniscas (Saudável, Sem Glúten/Lactose, Sem Gordura Adicionada, Paleo)
Para 10 pataniscas médias

Ingredientes:
[  1 cebola
[  4 ovos
[ 300g de bacalhau cozido e desfiado (cerca de 500g em cru)
[  3 colheres de sopa de polvilho (doce ou azedo) (podem usar outras farinhas - de milho, aveia,...)
[  Salsa

Preparação:
| Picar a cebola.
| Num recipiente médio, bater os ovos com o bacalhau, o polvilho, a salsa e a cebola picada.
| Colocar uma frigideira antiaderente (se não o for ou estiver riscada podem untar com azeite) no fogão, em lume médio. Assim que esta estiver quente, colocar nela porções da massa com a ajuda de uma colher de sopa.
| Após poucos minutos, virar as pataniscas com uma espátula e deixar cozinhar do outro lado. Retirar e repetir o procedimento até que não sobre massa.

Nota: Como o bacalhau é de si salgado e a salsa e cebola acrescentam sabor, optei por não adicionar mais sal, mas dependendo do bacalhau ou do gosto pessoal podem optar por fazê-lo.



Estas pataniscas ficam meeesmo boas! Não comia há imenso tempo, e esta versão saudável recuperou em força o nome da sua espécie - com uma textura fantástica e o sabor associado a este prato já ícone, convencem qualquer um.
Para ser sincera adoro qualquer opção alternativa aos tradicionais fritos, não só por ser mais saudável mas também por ser menos trabalhosa. Seria de pensar que o modo de preparação iria alterar para pior a textura, mas surpreenderam-me pela positiva - assim como a inesperada simplicidade de as tornar saudáveis!
Apesar de soarem a jantar português pesado e que demora 3h a preparar não o são, e na verdade acabam por funcionar como refeição muito 'limpa' e prática, sendo ainda excelentes enquanto almoço portátil. É uma receita, assim, bem fácil de fazer, com o gosto típico das tradicionais, que não vejo sacrificado: têm tudo aquilo de que me lembro nelas, embora sejam menos oleosas. A minha avó amante de pratos com bacalhau adorou - não sendo ela propriamente versada na arte de fazer pataniscas, tem de contar para alguma coisa ;)
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Informação Nutricional (por 1 patanisca)
Energia: 72kcal
Proteínas: 9.2g
Hidratos de Carbono: 3.8g
-       Dos quais açúcares: 0.7g
Lípidos: 2.0g 
-          Dos quais hidrogenados: 0.0g
-     Dos quais saturados: 1.6g
Fibra:  0g
Sódio: 49mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a cerca de 60g, 1 patanisca ou 1/10 da receita). Os valores estão sujeitos a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverão estar próximos do valor real. 
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sábado, 9 de abril de 2016

Sugestões de Receitas Saudáveis (Vossas!)

Nos últimos tempos tenho recebido através das redes sociais do blog (facebook e instagram) alguns pedidos de versões saudáveis de receitas que tipicamente não o são. Uma das pessoas que me contactou sugeriu que eu criasse uma espécie de rúbrica para reponder a esses pedidos, então, para poder dar a outras pessoas a oportunidade de fazer sugestões (obtendo ideias para novas receitas pelo caminho), decidi fazer este post aqui no blog :)
Assim sendo, podem comentar esta publicação (nem que seja em anónimo) com sugestões de pratos que gostariam que eu tornasse saudáveis (e eventualmente publicasse no blog). Vale tudo, seja doce ou salgado (para ver se saio da minha zona de conforto :P) - eu prometo considerar todas as sugestões e tentar fazer pelo menos algumas :D

domingo, 3 de abril de 2016

Papas de Aveia com Claras (com aveia de sabor) (Saudável, Sem Lactose*, Sem Açúcar/Gordura Adicionados)


Já ouvi relatos mirabolantes de desastres na cozinha. Mesmo sendo óbvio que esta é basicamente um aglomerado de aparelhos potencialmente perigosos, continua a surpreender a quantidade de histórias incríveis que sobre ela há: seja sobre panelas de pressão a explodir ou desastres no fogão que originam mini incêndios, praticamente toda a gente tem algumas histórias para contar nesta divisão.
Considerando isto, acho que até tenho tido alguma sorte. Tirando os óbvios e nada originais cortes e queimaduras, não me aconteceu nada de especial. A menos que consideremos... O incidente do gelado frito.
Tudo começou com um inocente pedido de gelado frito para sobremesa num restaurante chinês. Tinha começado há pouco a cozinhar mais sobremesas, apenas com bolos simples, e decidi depois replicar a receita em casa, o que requeria um tacho de óleo a ferver e a necessidade de colocar e retirar rapidamente bolas de gelado deste para que não derretessem - nada fora do comum até aqui, portanto. Por muito estranho que possa parecer, aquilo deu para o torto, resultando numa erupção de óleo quente, imensa fumaça e a minha avó a chamar-me idiota enquanto desligava o lume e eu ficava a olhar (o fogão ficou num belo estado, como podem imaginar. Só de me lembrar dos panos ensopados de gordura fico com arrepios). Até hoje, o meu irmão tem relembrado constantemente o quão bem cheirava a cozinha nesse dia - e, ao contrário do que possam pensar, fala a sério quando o faz. Acho que estraguei permanentemente o seu olfato.
Enfim, isto já foi há imenso tempo embora ainda agora trema à vista de gelado frito e os senhores dos restaurantes chineses que incendeiam perigosamente aquilo na mesa ao servir não ajudem nada. Mas mesmo que soe suficientemente desastroso, não foi a pior coisa que já aconteceu no meu agregado familiar mais próximo. Isto porque a minha avó conquista facilmente o pódio com o seu... Incidente da varinha mágica (só por aqui já se vê que não será boa coisa).
Este não tem tanta história: um dia a minha avó estava a tirar com o dedo qualquer coisa que estava presa na varinha mágica com ela ainda ligada à corrente e ligou-a sem querer. Segundo ela, o dedo quase que saiu fora (a sério, tentem ler isto sem se arrepiarem).
Assim sendo, tenho histórico familiar justificativo de ódio de varinhas mágicas, pelo que será compreensível que nunca tenha tentado triturar papas de aveia para as fazer cremosas - até a aveia em farinha tomar de assalto as redes sociais e a prateleira de baixo do meu armário dos cereais. Agora não há desculpa...






Papas de Aveia com Claras (com aveia de sabor) (Saudável, Sem Lactose*, Sem Açúcar/Gordura Adicionados)
Adaptado do instagram @_thebestofme_
Para 1 dose

Ingredientes:
[  20g de farinha de aveia com sabor
[  100ml de água
[  100ml de leite (vegetal para a versão sem lactose)
[  100ml de claras (preferencialmente pasteurizadas) 

Preparação:
| Juntar todos os ingredientes (farinha de aveia, água, leite e claras) num tacho e misturar bem até que a mistura fique homogénea.
| Levar a lume baixo, mexendo sempre, até engrossar.



Comprei a farinha de aveia na Nutritienda (link do produto aqui), mas há outros sites que vendem. Quanto a possíveis substituições, deverá resultar com farinha de aveia normal + adoçante e eventualmente qualquer coisa para dar sabor (cacau, coco,...), mas como esta receita é específica para esta aveia recomendo a quem não a tenha que faça outras (já têm algumas sugestões pelo blog, tanto no fogão como no microondas).
Esta receita é fantástica - inicialmente quando comprei a aveia de ferrero rocher (bombon rocher) experimentei em papas e não fiquei muito fã, mas esta versão com claras convenceu-me completamente. Tendo as papas bastantes adições, o sabor doce da farinha não fica enjoativo, além de que a textura é maravilhosa. Já experimentei com a aveia de panettone e de nutchoc (aka nutella), tendo ambas ficado mesmo boas! Muito cremosas e com um sabor leve fantástico. Já fiz meia dúzia de vezes (and counting), recomendo ;)

*Atenção: A maior parte das aveias com sabor contém vestígios de lactose, por isso o resultado da receita não é completamente isento de lactose.
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Informação Nutricional (por 1 dose)
Energia: 158kcal
Proteínas: 17.1g
Hidratos de Carbono: 11.9g
-       Dos quais açúcares: 0.7g
Lípidos: 3.6g 
-          Dos quais hidrogenados: 0.0g
-     Dos quais saturados: 0.0g
Fibra:  2.6g
Sódio: 116mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a cerca de 300g, 1 dose ou a totalidade da receita). Os valores estão sujeitos a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverão estar próximos do valor real. 
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