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sexta-feira, 29 de março de 2019

Bolo de Fécula de Batata com Creme de Pasteleiro de Café


Já sabem que os meus bolos de aniversário de eleição são o bolo alemão e o pão de Ló com recheio de chantilly e morangos (ou a versão com pêssego de lata). Sempre que alguém faz anos e preciso de fazer um bolo a minha escolha recai sobre um desses dois: são simples, saem sempre bem e quase toda a gente gosta.
Assim sendo, e como um spin-off de um clássico nunca sai mal (pronto, sai quase sempre mal, mas vocês percebem a ideia :P) decidi fazer uma versão de café do bolo alemão.
Fiz o bolo igual, mas substituí o creme de pasteleiro de baunilha por uma versão de café. Como quase todas as sobremesas com café que faço, foi um grande sucesso - por isso fica a receita para a posterioridade, e para quem quiser experimentar também :)





Bolo de Fécula de Batata com Creme de Pasteleiro de Café
Creme de pasteleiro adaptado daqui
Bolo adaptado daqui

Ingredientes:

Para o creme de pasteleiro:
[  550ml de leite meio-gordo
[  4 pacotes individuais de café expresso instantâneo (7,5g)
[  1/2 colher de chá de essência de baunilha
[  1 pitada de sal
[  3 ovos
[  150g de açúcar
[  45g de amido de milho
[  20g de manteiga sem sal

Para o bolo:
[  8 ovos
[  250g açúcar
[  150g de fécula de batata

Para a montagem:
[  Amêndoa granulada tostada (a gosto; podem omitir ou trocar por outra decoração ao vosso gosto)

Preparação:

Para o creme de pasteleiro:
| Num tacho, ferver o leite com o café em pó, a baunilha e o sal.
| Num outro recipiente, bater (usando um garfo) os ovos com o açúcar e o amido de milho.
| Juntar o leite ao preparado dos ovos aos poucos, mexendo vigorosamente para que estes não cozam.
| Colocar a mistura de novo no tacho e levar ao lume. Deixar engrossar, mexendo sempre, até obter a consistência desejada.
| Desligar o lume e juntar a manteiga. Misturar até que derreta (caso tenha ficado com alguns grumos, podem neste ponto dar uns toques com a varinha mágica).
| Transferir para um recipiente hermético. Cobrir a superfície com película aderente e deixar arrefecer completamente. Tampar e refrigerar durante pelo menos umas horas.

Para o bolo:
| Separar as gemas das claras.
| Utilizando uma batedeira elétrica, bater as gemas com o açúcar durante 15 minutos.
| Num outro recipiente, bater as claras em castelo, também com a batedeira elétrica (depois de lavar as pás).
| Adicionar as claras às gemas em pequenas porções, envolvendo-as de forma delicada com uma espátula.
| Peneirar algumas colheres de sopa de cada vez da fécula de batata para a mistura. Misturar cuidadosamente a cada adição.
| Dividir a massa por duas formas redondas, de tamanho médio e forradas com papel vegetal. Levá-las ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 20 a 30 minutos (podem fazer o teste do palito). Aconselho a trocar os tabuleiros a meio do tempo.

Para a montagem:
| Colocar num prato grande uma das camadas de bolo.
| Cobrir com cerca de metade do creme de pasteleiro.
| Por cima, colocar a outra camada de bolo.
| Cobrir com o restante creme e decorar com a amêndoa.

Antes de montar :)

Não tenho fotografias de fatias porque o bolo foi comido na festa de aniversário, maaas têm de acreditar em mim quando digo que elas estavam mesmo com um aspeto tentador! A parte do bolo fica bem fofa, e o creme de pasteleiro fresquinho a escorrer combina na perfeição com a textura.
Pessoalmente, acho os cremes de pasteleiro muito melhores e menos enjoativos do que os cremes de manteiga, apesar de não ficarem tão perfeitinhos. E esta versão de café ficou ótima, se são fãs de café têm mesmo de experimentar :)

sábado, 14 de abril de 2018

Semifrio de Café

Eu gosto muito de café. Não sou daquelas pessoas dependentes que precisam de beber um a cada par de horas para sobreviver, mas tomo um todas as manhãs. Bebo sempre sem açúcar - sei que muita gente tem dificuldade a habituar-se, mas eu nunca coloquei, por isso nunca cheguei a estranhar.
Já a minha avó odeia, mas está entre as pessoas algo dependentes, por isso vejo-a muitas vezes a engoli-lo de uma vez enquanto resmunga e diz que é 'azedo como rabo de gato'. No entanto, adora praticamente qualquer sobremesa que tenha café - vá-se lá perceber.
Lembro-me de que quando era pequena (= ainda não fazia bolos e portanto não monopolizava a confeção de bolos nas festas) se comprava muitas vezes um semifrio de café quando era ocasião de celebrar um aniversário, porque toda a gente gostava muito.
Entretanto deixou-se de comprar sobremesas para os aniversários (ver parêntesis acima acerca de monopolização de pastelaria), por isso ninguém comia semifrio de café há já imenso tempo. Um dia destes lembrei-me de que podia experimentar fazer em casa, visto que devia ser relativamente fácil e um throwback para a infância é sempre bem-vindo - especialmente quando vem sob a forma de um semifrio.
Então fiz um há pouco, para o meu aniversário, o que acabou por se revelar uma ótima ideia: foi tão simples de fazer quanto previsto, e toda a gente adorou. 
Fãs de café ou não, sugiro que experimentem e me digam se não é maravilhoso :)





Semifrio de Café
Adaptado daqui

Ingredientes:
[  8 folhas de gelatina
[  300ml de café forte (frio)*
[  200g de biscoitos de champanhe
[  400ml de natas (frias)
[  1 lata de leite condensado
[  4 colheres de sopa de caramelo líquido
[  Praliné de avelã e amêndoa (a gosto, opcional)
[  Granulado de chocolate (a gosto, opcional)

Preparação:
| Demolhar as folhas de gelatina em água fria durante 10 minutos.
| Entretanto, colocar 250ml do café num recipiente pequeno de fundo liso. Mergulhar nele cada um dos biscoitos de champanhe e dispô-los na base uma forma amovível, formando uma camada apenas.
| Espremer as folhas de gelatina de modo a retirar-lhes o máximo de água possível. Aquecer os restantes 50ml de café e juntar-lhes a gelatina, mexendo até que se dissolva (se necessário, podem aquecer um pouco a mistura).
| Bater as natas em chantilly; adicionar, batendo sempre, o leite condensado, o caramelo e a gelatina dissolvida no café.
| Colocar o creme resultante na forma, sobre os biscoitos demolhados.
| À parte, misturar o praliné de avelã e amêndoa com o granulado de chocolate e utilizar a mistura para decorar o semifrio (este passo é opcional; podem não colocar ou nada ou colocar coco ralado, raspas de chocolate, frutos secos,...).
| Levar ao frigorífico até que solidifique.

*Utilizei 3 pacotes individuais de café da Nescafé dissolvidos em 300ml de água quente.



As sobremesas com café tendem a ser menos enjoativas, e esta não é exceção. O café corta um pouco o doce, e como o semifrio é fresquinho torna-se muito agradável! A textura também é ótima, entre o fofo e o cremoso, parece uma nuvem :P
Eu fi-lo em Março, mas ainda é melhor opção para o Verão, quando tudo o que se quer é uma sobremesa fresca. 
Não mencionei acima, mas ficou realmente muito parecido àqueles de que eu me lembro, que compravam quando eu era pequena!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Café Gelado Cremoso (Paleo, Whole30-Approved, Saudável, Sem Açúcar Adicionado, Sem Gordura Adicionada, Sem Glúten, Sem Lactose, Vegan)




Quando era pequena tinha como costume tomar leite com cereais ao pequeno-almoço, como já falei por aqui (por ser um grande marco na minha vida, claro), e normalmente esse leite era sempre tomado com café e adoçante. 
Não sou particularmente fã de café, apesar de a minha família mais próxima morrer por um semi-frio de café ou uma meia de leite espumosa, e quando deixei de tomar leite não insisti em mantê-lo na minha alimentação, portanto o hábito perdeu-se (de qualquer maneira não me quero tornar dependente :P). 
Continuo a gostar do sabor nalgumas coisas, mas como não uso frequentemente tenho algum "medo" de, se tomar, não coneguir dormir... e por isso esta maravilhosa receita, aparentemente inofensiva, acabou por se tornar num enorme problema.
Estes "cafés gelados" (versão industrial) tornaram-se numa espécie de moda no ano passado, e estão por todos os cafés - a tentar enganar as pessoas dizendo "0 (graus)" e esperando que leiam "0 calorias". Pormenores à parte, estava à espera de uma coisa refrescante e deliciosa, nem que fosse só pela promissora embalagem adorável e sabores que soam bem como caramelo (tenho um fascínio por café com caramelo, e curiosamente nunca provei nenhum de jeito. #queremosmaisStarbucksemPortugal), mas foi uma desilusão - era granuloso e não cremoso, e o sabor também não era nada de mais. 
Como sobreviver a tal desgosto? Fazendo uma versão mil vezes melhor e mais saudável, que foi obviamente o que eu fiz logo a seguir e não um ano depois. 
E agora estou oficialmente viciada neste café gelado - tanto que acabei por o beber ao jantar, 2 ou 3 horas antes de ir para a cama. Consegui dormir à mesma, e acho que fui bem sucedida em não me tornar viciada em cafeína - em contrapartida, acho que estou viciada neste café gelado incrivelmente cremoso e saboroso. Mas acho que não vou desintoxicar tão cedo...







Café Gelado Cremoso
Para 1 copo

Ingredientes:
[  1 banana grande congelada (100g)
[  50g (2 colheres de sopa) de quark/iogurte ou 50ml (5 colheres de sopa) de creme de coco 
[  Café (a gosto) (cerca de 50ml)

Preparação:
| Num recipiente fundo, com a varinha mágica, numa liquidificadora ou num processador de alimentos, triturar a banana congelada com o quark/creme de coco até ficar bem cremoso.
| Adicionar aos poucos o café (frio), triturando continuamente até ficar novamente homogéneo.



Gosto. Imenso. Disto. Fica extremamente cremoso, espesso, a textura é perfeita... Levemente espumoso e muito suave. Sabe a café, basicamente, com um toque de banana (dependendo da quantidade de café que colocarem). Com os ingredientes também não podia ser mau... O coco não se nota.
Congelo a banana às rodelas, num recipiente de plástico que cubro posteriormente com película aderente ou um saco de plástico (para não ficar com gelo). Triturar com a varinha mágica é um bocado chato ao início, mas mesmo assim é rápido (e indolor).
A quantidade de café depende do quão forte ele é, e vai influenciar também a consistência, obviamente. Também vai variar conforme o gosto, eu gosto do sabor a café.
Eu vi a ideia na página de Facebook «Receitas da Gi» e pela espuma soube que tinha de fazer algo parecido :P tive de adaptar por os ingredientes estarem de fora para mim, acho que a consistência é bastante diferente, mas a essência está lá.
...Resumindo: é muito bom!
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Informação Nutricional (por 220g, um copo)
Energia: 115kcal
Proteínas: 5.7g
Hidratos de Carbono: 24.7g
-       Dos quais açúcares: 14.0g
Lípidos: 0.4g
-      Dos quais hidrogenados: 0g
-      Dos quais saturados: 0g
Fibra: 2.6g
Sódio: 2 mg
     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 220g, 1 copo ou a totalidade da receita). Foi calculada com quark e não creme de coco. Para que o produto seja paleo e whole30-approved deverá ser feito com creme de coco. Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real.
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sábado, 17 de janeiro de 2015

Éclairs de Café (com creme de pasteleiro de café)


Tenho vindo a perceber que algumas ideias que muita gente tem não têm fundamento que não a vontade de acreditar.
(Não, não é uma crítica à religião.)
Acho que o biológico não sabe necessariamente melhor e que nem tudo o que é biológico é saudável. Que nem sempre o que é caseiro sabe melhor. Que os produtos por não terem glúten não se tornam magicamente os melhores amigos da saúde. Que a complexidade de uma receita nem sempre a faz melhor (e, em contrapartida, que nem sempre uma receita ter poucos ingredientes a torna boa). Que as sobremesas pouco doces não são maravilhosamente saudáveis.
Admito que eu mesma vou sendo vítima desta espécie de dogmas. Mas de cada vez que como uma maçã biológica ou um pão de padaria, leio os ingredientes de bolachas sem glúten, vejo um pão de ló a desaparecer  ou admiro a quantidade de gordura de alimentos sem açúcar (re)descubro a sua idiotice.
A cobertura tradicional dos éclairs parece ser uma chávena de café e meio quilo de açúcar, e as ideias pré-concebidas de que coisas tão básicas e cheias de açúcar não são boas levaram-me a procurar uma opção alternativa. Talvez não fique tão bonito, mas delicioso ficou.
Nunca pensei perder em casa.  Mas parece que está um a um, fixações irracionais.
Por agora...








Éclairs de Café (Com creme de pasteleiro de café)
Éclairs aqui, creme de pasteleiro adaptado daqui e cobertura adaptada daqui
Para 22 éclairs pequenos

Ingredientes:

Para os éclairs:
[ 110g de manteiga
[ 240ml de água
[ 1 colher de chá de açúcar
[ 1/2 colher de chá de sal fino (omitir se se usar manteiga com sal)
[ 145g de farinha
[ 4 ovos L (à temperatura ambiente)
[ 1 clara de ovo (se necessário)

Para o creme de pasteleiro de café:
[ 500ml de leite
[ 3 colheres de sopa de café solúvel
[ 4 gemas de ovo M
[ 100g de açúcar
[ 50g de amido de milho
[ 100g de natas para bater bem frias (ou a gosto)

Para a cobertura de café:
[ 1 colher de chá de café solúvel
[ 1 colher de sopa de água quente
[ 90g de queijo creme
[ 160g de açúcar em pó
[ 1 colher de chá de extrato de baunilha
[ 2 colheres de sopa de leite

Preparação:

Éclairs:
| Pré-aquecer o forno a 220 graus.
| Forrar 2 tabuleiros (de preferência não pretos) com papel vegetal. Com uma régua e um lápis, traçar em cada tabuleiro 2 filas de 5 linhas parelas com 8cm de comprimento, distribuindo-as de modo a deixar o máximo de espaço entre cada uma. Virar a folha ao contrário.
| Cortar a manteiga em pedaços pequenos (com cerca de 1 centímetro de lado).
| Num tacho médio-pequeno, juntar a manteiga, a água, o açúcar e, se necessário, o sal.
| Levar ao fogão, a lume médio.
| Retirar assim que ferva (a manteiga deve estar completamente derretida).
| Retirar do calor e juntar a farinha toda de uma vez, misturando rapidamente com uma colher de pau.
| Devolver ao lume, desta vez médio-alto.
| Deixar cozinhar sem parar de mexer, durante cerca de 3 minutos. Deve formar-se uma película de massa agarrada no fundo do tacho, e o resto mistura deve descolar-se da panela.
| Transferir para o recipiente da batedeira.
| Bater na velocidade mínima da batedeira elétrica durante 1 minuto.
| Deixar arrefecer durante uns minutos.
| Bater de novo durante uns segundos na velocidade mínima.
| Aumentar para a velocidade média.
| Juntar um ovo de cada vez, batendo muito bem entre cada adição (cada um dos ovos deve estar completamente incorporado antes da adição seguinte).
| A massa deve formar, após o toque rápido de um dedo, um pequeno "pico". Se tal não acontecer, bater levemente a clara opcional com um garfo e juntar aos poucos, sem parar de bater, até que o faça.
| Colocar a massa num saco de pasteleiro (com boca circular; para alternativa ver fim do post) e, nas linhas desenhadas ao longo dos tabuleiros, dispôr a massa em linhas espessas para formar os eclairs. Se necessário, alisar com um dedo húmido.
| Levar ao forno pré-aquecido durante 10 minutos, sem o abrir.
| Reduzir a temperatura do forno para 180 graus e deixar durante mais 25-30 minutos, até que os éclairs estejam dourados.
| Colocar numa grade até que arrefeçam completamente.

Creme de pasteleiro de café:
| Aquecer o leite e café num tacho até que fervam. 
| À parte, misturar com a batedeira as gemas, açúcar e amido de milho.
| Juntar lentamente um pouco do leite, em fio, às gemas, mexendo rapidamente.
| Bater um pouco e adicionar o resto do leite, em fio, até acabar, batendo sempre. 
| Coar para o tacho e levar ao lume novamente, até que a mistura comece a engrossar.
| Assim que começar a formar grumos, baixar o lume, mexer rapidamente até que fique cremoso.
| Quando estiver espesso e cremoso, retirar do lume. 
| Transferir para um recipiente, cobrir com película aderente e deixar arrefecer completamente.
| Refrigerar. 
| Antes de rechear os éclairs, bater as natas em chantilly.
| Juntar um pouco de natas batidas ao creme e envolver.
| Juntar o resto aos poucos até obter a consistência desejada. 

Cobertura de café:
| Misturar o café solúvel com a água quente e mistrar até dissolver.
| Derreter o queijo creme e misturar até ficar incorporado.
| Juntar o açúcar em pó e misturar lentamente.
| Adicionar o extrato de baunilha e o leite e envolver.
| Se necessário, juntar mais açúcar em pó (caso esteja demasiado líquido).

Montagem:
| Com um saco de pasteleiro, rechear os éclairs com o creme de pasteleiro de café (já tentei com uma saca de plástico e não resulta tão bem como pode parecer).
| Mergulhar o topo dos éclairs na cobertura.
| Levar ao frigrífico.



Posso honestamente dizer-vos que estes são os meus éclairs preferidos! Juntamente com os de manteiga de amendoim. E os de maracujá. A culpa não é minha, são todos tãão bons!
São iguaizinhos a uns (também de café) muito bons que eu me lembro de comer há uns tempos. O creme de pasteleiro tem uma textura muito suave e um sabor delicioso, forte na medida certa, a café. Não é enjoativo (o café contribui para isso) nem pesado, é leve e muito cremoso. 
Como na maioria dos bons éclairs, a massa fina e fofa contrasta na perfeição com o recheio doce e fresco, o que faz com que os éclairs fiquem maravilhosos! Eu prefiro o recheio de creme de pasteleiro ao feito só de chantilly, apesar de ser um bocadinho mais trabalhoso.
As natas que são incorporadas no creme fazem-no ainda melhor e em harmonia com a parte de fora. Chama-se «creme diplomata» a um creme assim misturado, mas «creme de pasteleiro» é mais giro (e o creme é-o durante a maior parte da sua existência, porque sei por experiência própria que depois de pronto não dura muito!).
A cobertura ao fazer pareceu-me carecer daquela cor característica de café e de opacidade, mas acho que o sabor compensa, é muito agradável! Se preferirem podem usar cobertura de chocolate, mas o chocolate acaba por dominar um bocado e ofuscar o sabor a café, que eu prefiro que impere.
Não aconselho a fazer o creme de pasteleiro com muito tempo de antecedência, acaba por ficar muito líquido. Aguenta bem um dia ou dois, mas mais do que isso não convém, para além de que a percentagem comida à colher aumenta exponencialmente com o aumento de tempo até ao uso...
Caso sobrem, podem sempre ir dar uma corrida e usá-los como colete refletor... Apresento-vos um dos candeeiros de minha casa :P


domingo, 1 de junho de 2014

Éclairs de Café com Cobertura de Chocolate


Há sempre aqueles bolos de tradição. Aqueles bonitos que se estendem ao longo de prateleiras frigoríficas, com cremes amarelinhos e açúcar em pó. Aqueles que estão tão enraizados nas memórias de cada um e na tradição que é demasiado arriscado tentar replicar, porque ganha a certeza de que é impossível sair assim... Porque há tantas variações, tantas receitas, que é difícil acertar. Porque os sites que têm as fotografias mais apetitosas são duvidosos.
(É uma pena quebrar o romantismo, mas é um fator determinante.)
Ainda é pior quando são coisas assim. Um bolo pode sair mais denso mas comestível, mais doce mas tolerável... Mas quando há características essenciais, nomeadamente, sei lá, no caso de um bolo totalmente hipotético que tem de de crescer e ficar oco, e se lê sobre como um monte de gente não teve sucesso a fazer... Acho que foi só por teimosia que fui para a cozinha e me aventurei numa das 20 receitas que tinha guardado. Ainda assim, tinha a certeza de que ia ter de aprimorar os calhaus que dalí resultassem.
Ou não.





Éclairs de Café com Cobertura de Chocolate
Base dos éclairs adaptada daqui, molho de chocolate adaptado daqui
Para 22 éclairs pequenos

Ingredientes:

Para os éclairs:
[  110g de manteiga 
[  240ml de água
[  1 colher de chá de açúcar
[  1/2 colher de chá de sal fino (omitir se se usar manteiga com sal)
[  145g de farinha 
[  4 ovos L (à temperatura ambiente)
[  1 clara de ovo (se necessário)

Para o creme de café:
[  600ml de natas para bater (de preferência uma marca que resulte)
[  4 colheres de sopa de açúcar (ou a gosto)
[  2 1/2 colheres de chá de café em pó instantâneo (ou a gosto)

Para a cobertura de chocolate:
[  200g de chocolate negro 
[  1 colher de sopa de margarina
[  2 colheres de sopa de açúcar
[  150ml de natas

Preparação:

Éclairs:
| Pré-aquecer o forno a 220 graus.
| Forrar 2 tabuleiros (de preferência não pretos) com papel vegetal. Com uma régua e um lápis, traçar em cada tabuleiro 2 filas de 5 linhas parelas com 8cm de comprimento, distribuindo-as de modo a deixar o máximo de espaço entre cada uma. Virar a folha ao contrário.
| Cortar a manteiga em pedaços pequenos (com cerca de 1 centímetro de lado).
| Num tacho médio-pequeno, juntar a manteiga, a água, o açúcar e, se necessário, o sal.
| Levar ao fogão, a lume médio. 
| Retirar assim que ferva (a manteiga deve estar completamente derretida). 
| Retirar do calor e juntar a farinha toda de uma vez, misturando rapidamente com uma colher de pau.
| Devolver ao lume, desta vez médio-alto.
| Deixar cozinhar sem parar de mexer, durante cerca de 3 minutos. Deve formar-se uma película de massa agarrada no fundo do tacho, e o resto mistura deve descolar-se da panela.
| Transferir para o recipiente da batedeira. 
| Bater na velocidade mínima da batedeira elétrica durante 1 minuto.
| Deixar arrefecer durante uns minutos.
| Bater de novo durante uns segundos na velocidade mínima.
| Aumentar para a velocidade média.
| Juntar um ovo de cada vez, batendo muito bem entre cada adição (cada um dos ovos deve estar completamente incorporado antes da adição seguinte).
| A massa deve formar, após o toque rápido de um dedo, um pequeno "pico". Se tal não acontecer, bater levemente a clara opcional com um garfo e juntar aos poucos, sem parar de bater, até que o faça.
| Colocar a massa num saco de pasteleiro (com boca circular; para alternativa ver fim do post) e, nas linhas desenhadas ao longo dos tabuleiros, dispôr a massa em linhas espessas para formar os eclairs. Se necessário, alisar com um dedo húmido.
| Levar ao forno pré-aquecido durante 10 minutos, sem o abrir.
| Reduzir a temperatura do forno para 180 graus e deixar durante mais 25-30 minutos, até que os éclairs estejam dourados.
| Colocar numa grade até que arrefeçam completamente.

Creme de café:
| Levar as natas ao congelador durante 10 minutos, assim como o recipiente da batedeira.
| Bater as natas com uma batedeira elétrica até que estejam volumosas e leves.
| Acrescentar o açúcar e o café e envolver.
| Deixar que o café se dissolva.
| Provar e, se necessário, adicionar mais café ou açúcar.

Molho de chocolate:
Nota: prefiro fazer isto após os ter recheado com o creme
| Partir o chocolate em pedaços bem pequenos.
| Num tacho, colocar a margarina e o chocolate.
| Levar a lume brando, mexendo sem parar até que o chocolate derreta.
| Sem desligar o lume, adicionar o açúcar e misturar bem.
| Acrescentar as natas e continuar a mexer até que esteja cremoso e brilhante.

Montagem:
| Fazer um pequeno buraco na extremidade de um éclair.
| Encher o saco de pasteleiro com o creme.
| Introduzir a boca do saco de pasteleiro na abertura e rechear o éclair, verificando se está cheio.
| Mergulhar o topo no molho de chocolate, escorrer e colocar numa grade.
| Repetir o procedimento com todos os bolinhos.
| Quando o chocolate estiver sólido, transferir para um tabuleiro e refrigerar (de preferência durante algumas horas).




Gostei imenso desta receita. Já a fiz duas vezes (duas fornadas seguidas, sem cozinhar mais nada entre elas) e não tive qualquer problema. É fácil, simples e deliciosa!
Apesar de normalmente ser aconselhada manteiga sem sal, usei manteiga com sal e omiti o sal (por não ter a outra), e gostei dos resultados. Sinceramente até acho que podia comer os éclairs vazios, porque ficam fofos, leves e muito saborosos! 
(Pronto, por acaso até fiz isso.)
Fiquei mesmo fã, e agora estou bastante entusiasmada para me aventurar nos éclairs. Note-se que até já criei uma etiqueta só para eles. Isto é apenas o começo. 
Da segunda vez sei uma saca de plástico com a ponta cortada para formar os éclairs antes de levar ao forno. É um bom substituto para o saco de pasteleiro. Eu comprei um para o propósito (nunca usei), mas tive de o usar sem boca porque eram todas muito finas (queria mesmo um saco de pasteleiro de jeito...). A estratégia do saco tem a fantástica vantagem de se poder deitar fora no fim (menos uma coisa para lavar). Para o recheio não é tão prático. 
A cobertura de chocolate também me surpreendeu positivamente, encaixa perfeitamente, solidifica bem e até fica bonita. Como me sobrou, guardei no frigorífico e  da segunda vez voltei a usar (derreti ao lume). 
O creme é a coisa mais básica que há, mas não tive tempo para mais. Apesar de simples, é um clássico! É muito bom, com um sabor forte a café e uma textura cremosa. Não querendo fazer publicidade, as natas da Mimosa parecem leite e as da Agros é que são boas. Ou de outras marcas, ainda só experimentei estas (comprei as 2 e fiquei grata para todo o sempre à segunda opção marca). Quando tiver mais tempo vou repetir e talvez faça um creme mais elaborado, para ver a diferença.
Fiz os de café em vez dos clássicos porque são os melhores, mas também hei-de fazer de chocolate, de baunilha e outros!

Boa semana!


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