Avançar para o conteúdo principal

Tarte de Flan (Flan Pâtissier)


Todas as noites a minha irmã transporta um copo de água pelas escadas, para o pôr em cima da mesinha de cabeceira durante a noite. Numa noite, enquanto dormia, deu uma patada no copo, que caiu da mesinha de cabeceira (com cerca de 1 metro de altura). Ouviu o copo cair no chão mas, com a preguiça, decidiu só limpar no dia seguinte. Quando acordou estava prestes a fazer isso quando reparou que o copo estava no chão.
De pé.
Com a água toda dentro.
(Salpicos omitidos por motivos dramáticos.)

***

Num belo dia de sol eu e a minha irmã decidimos fazer tarte de flan. 
Era de manhã quando começamos a fazê-la, e correu mal desde o início: a massa da base não ficou moldável, era granulosa e não estava  fina ou uniforme. 
Levamos a base ao forno e entretanto fizemos o recheio, que ficou todo engrumado; no meio do pânico e da vontade de deitar tudo fora, esquecemo-nos da base (que, já agora, estava enqueijada e revelhida, lembrava uma cabeça encolhida e cheirava a queijo com bolor) no forno. 
Depois de continuar a mexer o recheio ele ficou mais cremoso, e pudemos finalmente pô-lo na base diabólica, que ficou demasiado baixa E com bordas não niveladas. Levamos ao forno, e logo a seguir reparámos que nos tínhamos esquecido do último ingrediente. 
50 minutos e uma lavagem de panela pegajosa depois, quando tiramos a tarte do forno, pudemos observar, onde deveria estar uma tarte de flan, um balão feio e cinzento. O padrão não estava uniforme. O recheio parecia demasiado líquido.
Pusemo-la no congelador atolado, e passado algum tempo a minha irmã foi ver como estava. 
Miraculosamente, ATÉ PARECIA BOA. 
E então, em câmara lenta e com um "NÃÃÃO" grave e sonoro, escorregou. 
Gostava de poder dizer que a física voltou a congeminar para a aterragem perfeita, mas a tarte deu uma maravilhosa volta de 180º e esborrachou-se graciosamente no meio do chão, onde se partiu num monte de pedaços juntamente com o meu fragilizado coração.
Depois de inspirar Munch e considerar mudar de casa só para não enfrentar a materialização da minha desilusão apanhei as desoladoras peças. Dei um bocado à minha avó (o chão estava limpinho, já agora).
E ESTAVA BOM.
Apesar das emoções fortes saí para uma corrida (que, já agora, contrariou todas as ideias sobre produtos lácteos e exercício aeróbico). Quando mais tarde cheguei a casa, uns pássaros beliscadores de comida elevaram a divino o nível de deliciosidade da tarte. 
E esta é a história de uma tarte que já fiz umas 20 vezes, desta feita com massa quebrada ou folhada e deixada a arrefecer numa mesa idilicamente plana, o que tem sido eficaz na diminuição da taxa de tartes dilaceradas.
Ou de como a gravidade é careta*. 

*adjetivo maravilhoso recentemente redescoberto, assim como um site para download de «Os Miúdos do Recreio».









Tarte de Flan (Flan Pâtissier)
Adaptado daqui
Para uma tarte, cerca de 8 fatias gigantes ou 16 pequenas

Ingredientes:

[  1 embalagem de massa quebrada ou folhada redonda
[  1L de leite gordo
[  400ml de natas
[  2 vagens de baunilha
[  3 ovos M
[  2 gemas de ovo (M)
[  180g de açúcar
[  130g de amido de milho
[  3 colheres de sopa de vinho do porto (ou rum)

Preparação:

| Abrir a massa e forrar com ela uma forma redonda de fundo amovível com cerca de 25cm de diâmetro.
| Furar muito bem toda a massa com um garfo.
| Nivelar e ajustar as bordas.
| Juntar num tacho grande o leite e as natas.
| Abrir as vagens de baunilha e raspar o interior para o tacho. Colocar também a própria vagem.
| Levar a lume médio, mexendo de vez em quando.
| Quando fervilhar, desligar o lume e coar para um recipiente
| Bater num recipiente à parte os ovos, as gemas e o açúcar com uma batedeira elétrica (na velocidade máxima) até aumentar de volume e ficar uma mistura mais pálida e esbranquiçada (demora cerca de 5 minutos).
| Peneirar para o creme de ovos o amido de milho. Bater com a batedeira na velocidade mínima, apenas para incorporar.
| Juntar o leite e natas ao preparado dos ovos, mexendo rapidamente com uma vara de arames (para não cozer).
| Colocar a mistura no tacho de novo e levar a lume médio. Mexer rapidamente sem parar (raspar bem o fundo).
| Quando começar a engrossar e a formar alguns grumos, diminuir o lume e mexer bem, rapidamente, até que se forme um creme espesso.
| Incorporar o vinho do Porto/rum.
| Retirar do calor e mexer vigorosamente com uma vara de arames até que a mistura fique bem cremosa.
| Colocar na forma preparada e alisar.
| Levar ao forno pré-aquecido a 180 graus durante aproximadamente 50 minutos.
| Deixar arrefecer completamente.
| Se desejado, levar ao frio algumas horas antes de servir. Se não, manter à temperatura ambiente,




Só aconselho a fazer esta tarte a quem não se importe de ter toda a gente que a provar a pedir um exemplar em cada ocasião que envolva comida, porque isto é uma espécie de maldição. Passei umas 5 semanas consecutivas a só fazer tarte de flan como bolo, e parei porque já estava a precisar de variedade (sim, porque por vontades exteriores à minha pessoa continuava até não haver natas à face da Terra).
A tarte fica com um sabor baunilhado mesmo agradável, uma característica película superficial e aquele toquezinho de culinária francesa. Pessoalmente gosto mais dela à temperatura ambiente, já que fica com uma textura mais cremosa e um sabor mais forte um bocado (talvez também seja por estar um frio de morrer).
Fica melhor do que eu alguma vez sonharia e muito parecido com os das pastelarias, com o padrão, a película superficial e a massa fina. Quando começa a engrossar fá-lo através de uma espécie de alastração de grumos (como cada um dos 50 tipos de creme de pasteleiro que já fiz - aliás, o procedimento é bastante semelhante), mas basta continuar a mexer (às vezes cansa um bocado) que fica bem cremoso. O que me assustou quando saiu do forno é normal - parece inchado, mas depois assenta e faz aquelas dobras adoráveis em cima, assim como aquela espécie de mancha escura. Tendo em conta isto e o atalho da massa pré-feita acaba por ser muito simples (mas o tacho sujo mantém-se).
As fatias desta «tarte» são geralmente muito grandes, mas também já cortei em 16 e até dá mais jeitinho para pegar.
Isto é o alimento preferido da minha avó - a sério, é uma paixão. Fiz no Natal e quase era obrigada a repetir no ano novo.  É uma tarte-manipuladora-de-massas (pena que não manipulou a primeira).
Também é extremamente agradável que esteja em quantidades certinhas - das primeiras vezes que fiz fiquei com pacotes de natas e leite gordo a passear no frigorífico, mas adaptei-a aos pacotes de coisas e isso já não acontece.
Fazer a receita é mesmo engraçado, porque 1. bater ovos com açúcar até engrossar é SEMPRE agradável, 2. nunca é demais relembrar o quão opaco o leite gordo é e 3. raspar a panela :)

Comentários

  1. Não fora a tarte da fotografia e já ia perguntar se não haveria, por aí, bruxinhas. É que desde o copo que cai e fica de pé, com água e tudo, até às desgraças que a desafortunada tarte sofreu, acabando num "esburrachanço" monumental, tudo vos acontecia.
    Mas não, estavam apenas num dia menos bom!:))

    Beijinho.

    ResponderEliminar
  2. Que aspecto bom! Gostei muito.
    Grata pela partilha.
    Beijinho
    Cláudia

    ResponderEliminar
  3. Desculpa, isto não se faz! É 13h30 da tarde, hora de almoço..ainda não almocei, acabei de treinar a pouco e deparo-me com essas fotos escandalosamente maravilhosas, e os meus olhos a brilhar para essa tarte??
    Pena que a tua historia inicial..lembrou-me de um certo bolo de chocolate LOOOOOOL, enfim águas pasadas! xD

    Espero que o teu natal tenha sido bom..e um bom ano novo para ti, beijinhos :D

    ResponderEliminar
  4. Olá!!!! =)
    Adoroooo ler seus textos, são tão deliciosos quanto suas receitas!
    Peripécias na cozinha acontecem em todo lugar, feliz quando geram resultados inesperados!!!
    Beijos e boa semana pra ti! =)

    ResponderEliminar
  5. Se eu pudesse roubava uma fatia!
    Bem e essa do copo, parece coisa paranormal...rs

    ResponderEliminar
  6. Os acidentes na cozinha são tão, mas tão frustrantes!!!
    Ainda bem que voltaste a tentar... está deliciosamente bem aparentada :)

    ResponderEliminar
  7. Lol.
    Na consoada, tinha para a sobremesa um cheesecake de peras e especiarias. como não o consegui desenformar (sem estragar a base) resolvi servi-lo com a base e coloquei num prato. escusado será dizer q a base escorregou e o cheesecake caiu "de pé" para o chão. Não estava direitinho pois caiu de mais de um metro de altura... mas foi todo comido,
    Esse flan está com óptimo aspecto! Fatias perfeitas! e gigantes como gosto!
    Feliz 2015!

    Beijinhos

    Sílvia

    ResponderEliminar
  8. Que aspeto apetitoso, gosto tanto de tartes. A tua ficou com ótimo aspeto.

    ResponderEliminar
  9. Olá avelã...

    A vossa tarte (feita em duo, presumo então) está maravilhosamente boa!!!
    Eu já costumo fazer uma tarte desse género à muitos anos mas não me anda a agradar ultimamente, porque fica muito baixinha e o sabor é sempre mais do mesmo... Acho que tal como tu é da repetitividade (não sei se esta palavra existe) :-)
    Por isso e como o meu filhote está prestes a fazer anos e esta vossa tarte parece-me para lá de boa, alta e se tem o tal toque baunilhado que a minha não tem... Acho que vou apostar nesta receita!!! A que eu faço não leva bagens de milho, não leva vinho do porto e não leva natas... Acredito que isso possa fazer a diferença e muita :-)
    Agora só uma perguntinha... O facto de ser leite gordo faz alguma diferença na confecção da tarte? Porque eu nunca uso leite gordo em nenhum doce, aliás, nem em casa para nada... É sempre meio gordo!!!
    A minha sogra tem uns preparados de tarte patissier que veem de França, a verdade é que aquela porra até é boa... Dá para fazer leite creme e tudo... O sabor desta será do género disso??? (sim, eu sei que não adivinhas avelã... Eu e as minhas perguntas difíceis) :-) É que esse preparado realmente sabe a baunilha e é muita bommmmm...
    Quanto aos desastres culinários uuuuuiiiiiiii... Acontecem-me tantos que nem é bom!
    E engraçado foi o copo ter caído ao chão e não ter partido :-) A tua irmã é uma sortuda! Mas pelo sim pelo não que faça como eu e que leve uma garrafa fechadinha com tampa, eu sou uma desastrada de 1ª categoria por isso nunca me passaria pela cabeça levar um copo e deixá-lo assim só pousado...
    Beijinhos para as manas avelãs, umas excelentes doceiras (parece-me) :-) eheheheheheh!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pelo que dizes parece ser tarte de nata! Eu gosto muito mais desta :P tarte de nata já comi algumas vezes mas nunca fiz, não me agrada assim tanto... Mas até acho piada à ideia de "nata gigante" :P Em comparação com uma tarte de nata esta é bastante mais alta e com uma textura mais cremosa... O sabor também é difererente. No aspecto até são parecidas... Mesmo assim acho-as bem diferentes :) Imagino que a tua seja também deliciosa, mas se queres variar um bocado aconselho vivamente a que experimentes esta. Já a vou fazer outra vez esta semana :P
      Em coisas destas prefiro usar leite gordo, mas acho que meio gordo também dá. Eu compro de propósito para fazer - eu não bebo leite, leite gordo então abomino :P Aquilo para beber é horrível! Em minha casa bebem magro, mas esse nem quero tentar, parece que os cremes ficam deslavados e nojentos, um bocado cor de rato. Com meio gordo já fazia :)
      A tentar adivinhar eu até dizia que sim, se for para tarte "patissier" deve ser bastante semelhante :) dentro da mesma coisa há variações, mas deve ter muito em comum! Não sei como é para fazer leite creme e isso, mas se eu pusesse isto num prato em vez de massa folhada ninguém se fazia rogado :P Mas vê lá se não é só creme de pasteleiro! :P
      O sabor disto é bastante suave e típico, sabe bastante a baunilha, tem uma textura "rica", firme e densa mas macia :) experimenta! :D
      Haha "manas avelãs" :P obrigada pelo comentário (e espero que faças a tarte)! :)

      Eliminar
    2. Eu pus em cima 'bagens de milho' ahahahahahah...
      Sim, a tarte que eu faço é de nata, mas já percebi que apesar de ser parecida com essa, em sabor são bem diferentes... E sim, eu já apontei a receita e vou mesmo fazer para o aniversário do meu filho que está para breve :-) O ano passado fiz a de nata e toda a gente gosta, mas assim aproveito e faço um parecida mas diferente em sabor e altura e depois digo-te os elogios feitos :-)
      Realmente com leite magro a coisa deve ficar mesmo muito aguada... Olha, eu vou experimentar com leite meio gordo que é o que tenho em casa e depois também te dou o feedback...
      E não é creme de pasteleiro a tal saquinha que vem de frança, é mesmo um preparado dessa tarte, diz mesmo o nome na caixa, mas também dá para fazer conforme manda lá nas instruções e verter para tacinhas e até caramelizar com o ferro e fazer leite creme... Fica um leite creme baunilhado sem massa folhada... É bom, isso é!
      Beijinhos grandes***

      Eliminar
  10. Ai Avelã, adoro sempre as tuas histórias! Rio-me sempre com os teus posts e comentários... Até te perdoo as tentações que publicas...
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  11. Não imaginas como é reconfortante saber que há gente tão trapalhona como eu na cozinha!
    Ver uma coisa destas logo a seguir ao almoço... Fiquei cheia de vontade de comer uma fatia.

    ResponderEliminar
  12. Ai, eu amo o teu jeito de escrever! <3 Sei nem o que comentar mais. Adoro as histórias, sempre me faz rir! Blog lindo de querido ♥ Amo, amo, amo o capricho!

    ResponderEliminar
  13. Essas fatias enchem qualquer olho e barriga ;) Ficaram maravilhosas!
    Beijinho

    Recanto com Tempero
    http://recantocomtempero.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  14. Amei esta tarte!

    beijinhos

    food&emotions
    http://fefoodemotions.blogspot.pt

    ResponderEliminar
  15. Avelã,
    Antes de coscuvilhar o teu blog, a 1ª coisa que fiz foi aderir, porque logo na 1ª página fiquei impressionada, e a 2ª foi procurar o teu flan patissier, e sim, não fica nada atrás do meu. Alias pareceu-me tão bom que vou agenda-lo para fazer qualquer dia, quiçá este fim de semana.
    Bjkas
    Tila

    ResponderEliminar
  16. No meio de tanto azar, a tarte fez sucesso. Até eu, que não sou fã de natas e leite, sou capaz de experimentar. Tem óptimo aspecto :)

    ResponderEliminar
  17. E a masSa folhada/quebradA E necessario pre cozinhas antes d colocar o creme?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não, eu coloco o creme na massa ainda crua e só depois levo ao forno :)

      Eliminar
    2. E o creme pode ir logo para o forno ou tem de arrefecer?

      Eliminar
    3. Vai logo ao forno, não é preciso arrefecer ;)

      Eliminar
  18. Obrigada!! 😊😀 melhor blog d smp!!! ❤❤❤

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Produtos #95 - Novos Iogurtes do Lidl (20g de Proteína)

Hoje venho falar da nova gama de iogurtes proteicos da Milbona disponível no Lidl . Tratam-se de potes de 200g (num formato parecido ao dos pudins!), que custam 0.79€ . Estão disponíveis em 4 sabores : pêssego & laranja ; ginja & arónia ; framboesa e romã ; mirtilo . Cada unidade tem cerca de 130kcal e 20g de proteína . Não têm adição de açúcar , e são desnatados , pelo que são baixos em gordura. Abaixo vou deixar fotos do rótulo (ingredientes e tabela nutricional) de cada um dos sabores. Vou deixar também a minha opinião, por ordem de preferência. A minha opinião geral: ficam a léguas da gama de quark proteicos da Milbona também disponível no Lidl (em embalagens quadradas de 180g, nos sabores baunilha/morango/pêssego-maracujá/framboesa). Esses são mais densos (o que eu prefiro), e fora isso têm uma textura menos enjoativa.  Eu sei, eu sei - 'enjoativo' é um adjetivo estranho para descrever uma textura. Mas estes iogurtes novos têm uma textura algo farinhenta, talv...

Rabanadas Poveiras

Este Natal fiquei encarregada de fazer as tradicionais rabanadas, pelo que no início da semana fui ao Mercadona com a ideia de comprar o cacete para rabanadas deles (que acho particularmente bom). Cheguei ao Mercadona... E o cenário era de razia total - cacete para rabanadas nem vê-lo. Visto que o único pão que abundava era o biju, decidi-me a fazer as rabanadas à moda da Póvoa de Varzim. Andava no vai-não-vai com elas: por um lado queria experimentar, por outro lado tinha medo que corresse mal (estragar as rabanadas no Natal deve dar direito a azar eterno :P). No final, foram os stocks do Mercadona a forçar-me a mão. Se muitas vezes agradeci ao Mercadona por ter produtos excelentes, desta vez agradeço-lhes por não os ter. Bendito seja quem levou o último cacete, porque estas rabanadas com biju são de longe as melhores que já comi :D Rabanadas poveiras Adaptado d aqui e d aqui Ingredientes : [  750ml de leite meio-gordo [  75g de açucar (+ o da cobertura) [  ...

Papas de Weetabix (Saudável, Sem Gordura/Açúcar Adicionado, Sem Lactose, Vegan)

Antes de provar papas de aveia pela primeira vez achava o conceito um pouco estranho. A palavra 'papas', como é óbvio, não ajudava, e na altura nem sequer estava muito familiarizada com a aveia de todo. Quando decidi experimentar, procurei receitas na internet e escolhi uma à sorte - usei casca de limão e um pau de canela, ingredientes que são recorrentes na maior parte das versões mas que entretanto deixei de usar. A partir daí deu-se o encantamento clássico de quem prova uma receita tão boa, que me fez preparar papas de aveia praticamente todos os dias ao pequeno-almoço. Desenvolvi um conjunto considerável de receitas, e eventualmente cheguei ao pensamento que obrigatoriamente se seguia: 'se resulta com aveia, deve resultar com outros cereais... Certo?'. A maior parte das experiências revelaram uma resposta positiva, e com o entusiasmo comecei a variar imenso o estilo de papas. Experimentei papas de centeio, de espelta e de trigo integral, apreciando bastante t...