sábado, 30 de maio de 2015

Bulletproof Coffee (Café Turbinado) (Paleo, Whole 30-Approved, Sem Glúten, Saudável, Sem Lactose, Vegan, Sem Açúcar Adicionado)



Na minha família há 2 maldições hereditárias da praxe associadas a aparelhos de cozinha: a das torradeiras e a das varinhas mágicas. 
É incontável o número de torradeiras que já usei. Deste brancas a metálicas, largas a fininhas e desde baratinhas a mais caras um bocado. Sem distinção entre as caraterísticas, todas elas acabam invariavelmente por avariar (reza a lenda que é por a minha mãe espetar lá a faca para tirar o pão), mesmo quando parece que esta é de vez (não digo à terceira porque já foram bem mais).
Nas varinhas mágicas o fenómeno repete-se - o fio começa a ficar deteriorado, alguém (o meu pai, obrigado pela minha avó) o envolve em toneladas de fita-cola rezando para que resolva o problema (não resolve), a minha avó tenta espetar o fio à força na ligação esperando que magicamente se reúnam, a varinha começa a fazer sons estranhos, cada vez funciona pior e finalmente falece. Atualmente há por estes lados duas (a simultaneidade é fruto de um esquecimento nas férias), mas parece-me que uma delas está mesmo quase a deixar este mundo. Quanto a este caso, há também uma lenda quanto ao culpado - desta feita seria, segundo fontes anónimas, a minha avó, que bate com a varinha na banca para a limpar e passa as coisas na panela com a boca do fogão ligada (embora a arguida se mostre extremamente ofendida com as acusações). Vestígios desta última maldição são as toneladas de copos medidores que vêm juntamente com as varinhas mágicas que tenho, fora os que já foram para o lixo.
Recentemente a minha torradeira mais duradoura (pensava que era uma relação para sempre!) foi desta para melhor, e desde aí já tive duas - uma horrível que não tinha espaço para nada com mais espessura que uma fatia de pão de forma (a minha avó desenvolveu a técnica de cortar pão em três fatias) e a que tenho agora, troca da primeira (para alívio da minha avó, que não gostava assim tanto de ter de mutilar o pão para o torrar) que vai andando (mas já se sabe que caminha para o fim nas mãos sujas de sangue de torradeira dos donos).
Quanto às varinhas mágicas, ainda se vão aguentando - mas não tenho muita fé, e aguardo o dia em que vou ter de comer sopa com pedaços meio triturados de cenoura a boiar. Só espero que não avarie enquanto estou a fazer um café destes, porque acho que não conseguia aguentar a destruição da expectativa de tomar um café tão bom.






Bulletproof Coffee (Café Turbinado) (Paleo, Whole 30-Approved, Sem Glúten, Saudável, Sem Lactose, Vegan, Sem Açúcar Adicionado)

Ingredientes:
[  50ml de café
[  1 1/2 colher de chá de óleo de coco (ou ghee ou uma mistura de ambos)
[  Canela (opcional)
[  Noz moscada (opcional) 
[  Cravinho (opcional)
[  Cacau em pó (opcional)

Preparação:
| Aquecer o café.
| Juntar o óleo de coco e as especiarias e bater com um acessório para capuccino. Caso se pretenda utilizar a varinha mágica e não o acessório (que é o que eu faço) tranferir para um copo medidor/recipiente fundo e bater até obter espuma. Podem ainda utilizar um liquidificador pequeno.





Originalmente este café sensacionalista estava mais virado para o «o super-homem atola-o com 4 colheres de sopa bem cheias de pura gordura saturada e fica atestado para a manhã», mas não exageremos - dispenso encharcar-me num único macronutriente, qualquer um que ele seja, para pequeno-almoço. No entanto, com um pequeno ajuste nas quantidades, fica óptimo para um café aprimorado. Eu gosto bastante do sabor a café e assim com uma bela espuminha ainda fica melhor, compensa completamente o ter de desenterrar a varinha mágica e tudo. Também gosto da maneira como os sabores do cacau e das especiarias complementam, fica com um gosto mesmo muito agradável.
Podem, claro, variar as quantidades de óleo e as especiarias ou mesmo usar manteiga em vez de ghee, embora eu prefira ghee. Há quem use como pequeno-almoço quando querem entrar em cetose.
Eu gosto especialmente dele no Verão, mas sou parcial porque é quando o meu óleo de coco derrete (tive essa surpresa hoje de manhã quando fui fazer o bulletproof e fiquei radiante, admito) e dá menos trabalho com o ciclo aquecer - juntar o óleo - mexer e esperar impacientemente que derreta. Sim, acho que sou preguiçosa.
Se tiverem um daqueles instrumentos de capuccino melhor, não é preciso  sujar um copo medidor ou uma varinha. Sortudos. 
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Informação Nutricional (por 1 café)
Energia: 24kcal
Proteínas: 0.1g
Hidratos de Carbono: 0.0g
-       Dos quais açúcares: 0.0g
Lípidos: 2.8g
-          Dos quais hidrogenados: 0g
-     Dos quais saturados: 2.4g
Fibra: 0.0g
Sódio: 1mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 50g, 1 dose, um café ou a totalidade da receita). Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real. 
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domingo, 24 de maio de 2015

Antes e Depois #4: Caramelo «Saudável»


Ontem não me apetecia publicar nenhuma das receitas «em espera», portanto decidi fazer o caramelo que me tinha atazanado toda a semana. A coisa correu um bocado mal: quando juntei o ghee ficou em 2 fases, e depois de tirar do lume parecia uma massa nojenta embebida em óleo (que emergiu). 
Eu descartei o óleo e, contra todas as minhas expectativas, até estava bom. Quando fui tentar tirar fotos percebi que era uma tarefa impossível fazer aquilo parecer decente de tão espesso. Irritou-me um bocado, especialmente porque o pus numa chávena de café e ele se colou de tal maneira que eu achei que ia ter de deitar a chávena fora (e era uma nova que eu comprei de propósito para ter uma bonita o suficiente para publicar o bulletproof coffee!). Como queria mesmo publicar, fiz logo outra «fornada», desta vez deixando durante menos tempo e com uma diminuição abismal da quantidade de ghee (não segui a receita original à risca, senão certamente resultaria à primeira). Depois de sair do lume parecia Compal de pêssego, o que foi super frustrante - mas ao arrefecer ficou perfeito e delicioso. 
Não estava mau da primeira vez, mas eu não podia deixar de publicar esta comparação porque as fotos do primeiro ficaram hilariantes (e porque ainda assim o 2º estava beem melhor!). 



A receita do caramelo (corrigida, obviamente) está aqui.

sábado, 23 de maio de 2015

Molho de Caramelo (Paleo, Saudável, Vegan, Sem Glúten, Sem Lactose)


Parece-me mui clara e distintamente que há dois tipos de caramelos - e parece-me também que nós, degenerados sem coração, desvalorizamos todas as diferenças entre esses duas encarnações do molho (que belo título para um livro), possuidoras de caraterísticas muito distintas, e ignorantemente os apelidamos a ambos de «caramelo».
Já todos sabemos que o caramelo é açúcar derretido e depois solidificado (lá se foi o mistério) - e o constituído (quase) unicamente por açúcar (ou açúcar e água), que é menos doce (o açúcar amarga imenso, principalmente quando começa a ficar mais escuro, não é novidade nenhuma mas até é um bocadinho escandaloso), é o «original» - mas também é o pior.
(A não ser que esteja grudado a um pudim. Se estiver grudado a um pudim é super bom.)
E depois há outro caramelo - o caramelo das barras de chocolate, pegajoso, doce e cremoso ao mesmo tempo, com aspeto semelhante ao mel do Winnie The Pooh (já agora, ursolas, provar mel foi a maior desilusão da minha vida por tua causa e do teu amigo leitão) - o caramelo que é tudo menos caramelo. O caramelo que tem natas, manteiga e açúcar e cuja confeção não tem quase nada a ver com o caramelo, mas que é o melhor caramelo de todos. Este tipo é frequentemente apelidado de «molho de caramelo».
E com esta distinção viveríamos todos muito pacificamente caso não estivessemos rodeados de imbecis que decidem chamar «molho de caramelo» ao caramelo não-doce, do que vem uma falha de comunicação grave. 
Caso estejam desconfiadas quanto a uma banca de waffles ou frozen yogurt, sigam o meu truque muito sofisticado - perguntar se o caramelo é doce. Resulta sempre, e o único lado mau é ter gente a achar que somos idiotas.
(Vamos por motivos de retórica ignorar a parte em que respondem sempre «Hm, sim.», independentemente do complexo tipo caramelo que possuem.)
Caso ainda não tenham percebido as diferenças, vamos a um estudo de caso - este (*ver caramelo decadentemente delicioso nas fotografias abaixo*) é do segundo tipo. Sem dúvida. Um exemplar prototípico, arriscar-me-ia a dizer.



Admirem aquela espiral sublime.

Ha, enganei-vos. É puré de manga.



Molho de Caramelo (Paleo, Saudável, Vegan, Sem Glúten, Sem Lactose)
Adaptado daqui 
Para cerca de 320g

Ingredientes:
[  200ml de leite de amêndoa (ou de coco)
[  80g de mel (ou xarope de seiva de ácer para quem prefira ou seja vegan)
[  1 colher de sopa bem cheia de ghee (30g)
[  1/2 colher de chá de extrato de baunilha

Preparação:
| Num tacho pequeno, colocar o leite de amêndoa e o mel. Mexer e levar a mistura a lume médio-baixo.
| Deixar engrossar durante cerca de meia hora a 40 minutos. Passado este tempo deverá estar algo mais espesso, com muitas bolhas de ar a rebentar lentamente e pouco líquido fluído (mas ainda líquido; a arrefecer é que fica mais consistente)*.
| Juntar o ghee e o extrato de baunilha e deixar ligar e escurecer por uns minutos (poucos), misturando para incorporar.
| Desligar o lume e transferir para um recipiente (se pretenderem que dure coloquem num recipiente hermético e rezem para que ninguém o encontre). Vai parecer ser demasiado líquido, mas engrossa ao arrefecer, como seria de esperar.

*Nota: Podem deixar mais ou menos tempo conforme a textura (respectivamente, mais ou menos espessa/pegajosa) que preferem; também varia de acordo com o tamanho e a espessura do fundo do tacho.





Isto é PERFEITO. A sério, perfeito. Eu nunca tinha feito este tipo de caramelo em casa, muito menos uma versão mais saudável, mas não consigo imaginar caramelo/butterscotch a ser melhor do que isto. Ainda estava a pensar que não ia ser assim tãão bom, que ia «tresandar» a mel, mas não - é mesmo delicioso. Tem a textura ideal, agarra-se um bocado aos dentes, é pegajoso como caramelo, cheira a caramelo, tem cor de caramelo e é bom como caramelo. Como prova, o meu irmão odiador de coisas que cheirem sequer a saudaveizinhas gostou imenso. Admito que ainda só o comi à colher (também estão em produção uns snickers saudáveis) e destrona facilmente o meu caramelo não-tão-caseiro para fazer snickers em casa (que consiste basicamente em caramelos de compra derretidos - criatividade, meus caros).
Eu fiz com mel, ainda tenho de experimentar com maple syrup. Terá algumas diferenças em termos de sabor, mas também deve saber muito bem. Eu não gosto do sabor «estridente» do mel e achei que não estragava de todo isto - mal se nota, só «confere o doce». E sempre é mais acessível do que xarope de seiva de ácer.
(Também não sabe a whisky de manteiga, juro :P)
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Informação Nutricional (por 20g)
Energia: 33kcal
Proteínas: 0.1g
Hidratos de Carbono: 4.2g
-       Dos quais açúcares: 4.1g
Lípidos: 2.0g
-          Dos quais hidrogenados: 0g
-     Dos quais saturados: 1.2g
Fibra: 0.5g
Sódio: 10mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 20g, 1 dose ou 1/16 da receita). Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real. 
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domingo, 17 de maio de 2015

Pudim de Ovos na Panela de Pressão - Mais Conhecido por 'O Melhor Pudim de Sempre'


O meu legado de receitas de sobremesas não é vasto.
A praia da minha avó é as feijoadas (segundo ela, foi ela quem inventou pôr carne desfiada na de feijão vermelho :P), arrozadas (com ervilhas de quebrar - TÃO bom) e assados (featuring batatas crocantes muito boas).
Da parte da minha mãe chegam-me apenas relatos que remontam a um bolo de bolacha "perfeito", segundo a minha avó, e que nunca veio a ser reproduzido por nenhum mortal (apesar de a minha mãe jurar que é só bolachas, café e natas). 
Podiam já começar a adivinhar o quanto as minhas festas de família são tristes, mas esquecem-se de uma variável: os pudins da minha tia (que na verdade é tia-avó, mas como esse é um nome estúpido vou omitir a segunda parte. E o hífen).
Os pudins que a minha tia faz religiosamente para qualquer festa de família são simplesmente perfeitos - densos, com uma textura suave e um sabor muito agradável e leve a caramelo. 
Já algum tempo que lhe queria pedir a receita, mas fui avisada por familiares que seria uma tarefa perigosa - havia lendas e histórias de gente a desfalecer de desidratação enquanto ouvia a longa descrição do pudim alternada com histórias sobre netos.
Numa festa de família em que o pudim estava especialmente delicioso, com o juízo toldado pelo açúcar, ganhei coragem e pedi a receita.
A resposta foi, apesar de tudo, rápida e indolor - e valeu imenso a pena, porque agora tenho a receita do pudim perfeito que já repeti 10 vezes.
E agora posso partilhar a perfeição convosco - portanto espero que agradeçam a bravura altruísta que me levou a arriscar horas de vida ;)





Pudim de Ovos

Ingredientes:

Para o caramelo
[  200g de Açúcar (ou menos, se forem experientes e não entrarem em pânico por o caramelo solidificar enquanto a forma ainda não está toda coberta)

Para o pudim
[  8 ovos
[  450g de açúcar
[  2 colheres de sopa amido de milho (não muito cheias)
[  500ml de leite meio gordo

Preparação:

Para o caramelo
| Peneirar o açúcar para um tacho, tentando que fique uma camada de igual espessura em todos os pontos.
| Levar a lume médio-baixo até que o açúcar dos cantos comece a derreter.
| Com uma colher de pau, ir puxando o caramelo dos cantos para o centro.
| Assim que esteja tudo líquido e de cor castanha-clara, usar o caramelo para cobrir a forma. Costumo pôr primeiro na saliência do centro e depois ir rodando para cobrir os lados. Com o que sobrar podem caramelizar uma maçã, é extremamente divertido.

Para o pudim
| Bater os ovos com o açúcar, utilizando uma vara de arames.
| Juntar o amido de milho e bater bem.
| Adicionar o leite e voltar a bater (sempre à mão).
| Verter para a forma com caramelo. 
| Tampar a forma e colocá-la no centro de uma panela de pressão, colocando água até metade da altura da forma. Por cima da tampa costumo pôr um quebra-nozes, para não correr o risco de o pudim levar um banho.
| Levar a panela ao lume. 
| 25 minutos após ter começado a ferver, retirar a panela do lume e retirar o pudim (quando sair a pressão).
| Desenformar quando completamente frio. É bom à temperatura ambiente, mas depois de desenformar costumo guardar no frigorífico.



Eu pensei que o caramelo fosse mais difícil de fazer - toda a gente fala nas queimaduras do caramelo e etc, mas acho que isso acontece mais quando se adiciona água, o que de qualquer das maneiras lhe retira alguma deliciosidade. O procedimento é pacífico e o caramelo não «salta» de todo, exceto no fim, quando para limpar o tacho o cubro com água a ferver - e mesmo aí é mais uma espécie de efervescência engraçada e barulhenta (que soa profissional) no tacho do que salpicos assassinos. Nunca me queimei e não sou muito experiente nestas coisas (apesar de já ir sendo, uma vez que fiz este pudim imensas vezes).
Limpar o tacho é fácil - só juntar água quente e levar ao lume. A forma costumo deixar de molho.
Agora passando para a descrição do pudim - isto é a melhor coisa de sempre. Há quem prefira pudins com furinhos, mas acho que essas pessoas ainda não provaram este - muito suave, cremoso, com um sabor muito agradável e, muito resumidamente, perfeito. O caramelo não tem aquele sabor «agressivo» e cheira muito bem. Além de tudo isto é extremamente rápido de fazer e a confeção é simples, o que dá sempre jeito. Já agora, e  para contrariar o que é a queixa geral, quando faço este pudim fica tão bom como o «original» (feito pela minha tia).
Antes deste experimentei vários pudins (receitas retiradas da internet) e nenhum se compara a este (tirando um de café delicioso!). FAÇAM. Rápido.

sábado, 9 de maio de 2015

Pudim de Microondas (Saudável, Paleo, Sem Açúcar Adicionado, SemGordura Adicionada, Sem Glúten, Sem Lactose)


Eu tenho um mecanismo extremamente funcional de seleccionar receitas pré-existentes para fazer, do qual constam 6* passos. O primeiro é lembrar-me de alguma coisa e o segundo é pesquisar pelas receitas dos anglofalantes que, totalmente desinteressados do que ganham com isso e apenas envolvidos pelo seu encanto genuíno resultante do assoberbamento por comer o resultado final, incluem no título «The Best (...) Ever». 
(E eis a razão pela qual eu não gosto de fazer receitas tradicionais portuguesas que não tenha visto listadas como motivo legítimo de desmaio num blog nacional - parece que o povo cá não é tão gabarola, e é-me mais difícil querer imenso fazer uma receita quando o seu autor não é um entusiasta dela.) 
O terceiro é guardar as 10 receitas que mais me parecem ser «A. Melhor coisa. De todos os tempos.» no Pocket, uma aplicação super útil que apela ao meu lado organizado ao permitir categorizar cada receita com 50 (número ilustrativo, não sei se tem limite) etiquetas - «sobremesa», «favoritos», «chocolate», «favoritos mais recentes», «aniversário», «favoritos ainda mais recentes» são alguns exemplos que expressam bem o que acontece depois. Numa primeira fase de maturação das receitas, estão na categoria «expressão material sendo aguardada ansiosamente». Depois pesquiso outras receitas e adiciono também, o que faz com que se acumulam por não ter oportunidade de as fazer todas. Passado algum tempo todas as minhas receitas têm a tag «favoritos», pelo que acho por bem criar uma nova de modo a não me esquecer do quão rapidamente tenho de as fazer - e eis como se formam estratos de coisas (que diferem por questões temporais e não qualitativas, o que faz totalmente muito sentido) a aguardar um novo rasgo de «quero taanto fazer isto».
Claro que também há receitas que consigo fazer antes de as deixar cair no esquecimento, ou não faria nenhuma. E eis a história de como, num belo dia de sol, eu fiz pudim. 

*Confesso que o número é meio aleatório, perdi-me na contagem lá para o meio do antepenúltimo parágrafo.


O meu pudim tem brilho de golfinho. Invejem-me. 




Pudim de Microondas
Para 2 doses, um mini pudim

Ingredientes:
[  100 ml de leite, vegetal ou não*
[  1 ovo
[  1 colher de chá de mel ou 1/2 colher de chá de passas (ou a gosto, provem e vejam se está doce o suficiente)
[  1 colher de café de essência de baunilha (opcional)

Preparação:
| Com uma varinha mágica, processador ou liquidificadora, triturar todos os ingredientes (creme de coco, ovo, mel/passas e baunilha).
| Coar para um recipiente que possa ir ao microondas e levar ao microondas durante 1 minuto e meio a dois minutos.
| Retirar e levar até ao frio até arrefecer. 

*Escolham um leite de que gostem. Usei de coco, cuidado com a marca porque há alguns que sabem muito mal (*tosse* o da marca do E. Leclerc *tosse tosse*).






A receita do pudim foi inspirada na do facebook da Ana Filipa Silva, assim como o seu soberbo antecessor bolinho de banana. Essa é uma razão pela qual não me esqueci - a pressão acutilante da foto de uns pudinzinhos deliciosos não o permitiu. E agradeço-lhe por isso, porque isto é muito bom!
Em vez da essência de baunilha podem usar o que quiserem para dar sabor - café, cacau, coco, limão,
canela,... É o que preferirem.
Acho que o pudim tem uma textura caraterística de pudim, nem parece ter sido feito no microondas. Não dá para ver bem nas fotos, mas a textura é levemente porosa e esponjosa, húmida como a de um pudim «com furinhos». O sabor é abaunilhado (se puserem essência de baunilha) e muito agradável, até porque não se sentem as passas (eu não gosto nada do sabor caraterístico das passas). Já repeti a receita 3 vezes e gosto muito :) da primeira vez usei mais passas (10g) e foi mesmo demasiado doce, assim está muito bem, apesar de poder parecer pouco - acaba por rondar os 2,5g de passas, mas adoça bastante bem. Escolham um leit de
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Informação Nutricional (por 1/2 pudim)
Energia: 122kcal
Proteínas: 3.8g
Hidratos de Carbono: 2.4g
-       Dos quais açúcares: 1.9g
Lípidos: 14.2g
-          Dos quais hidrogenados: 0g
-     Dos quais saturados: 12.2g
Fibra: 0.5g
Sódio: 35mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 80g, 1/2 dose, 1/2 pudim ou metade da receita). Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real. 
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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Whole30 - Pós-Treinos


E, depois da fabulosa compilação de pré-treinos, segue-se um igualmente fabuloso (mas em que os animais não falam - que cruel) conjunto de sugestões para pós-treino.
A recomendação «oficial» é uma refeição pequena 15 a 30 minutos depois de um treino. Deverá conter proteína de fácil digestão (quantidade semelhante à das refeições) - dou preferência a carnes magras, especialmente peito de frango, peixes não gordos e ovos - e vegetais/tubérculos ricos em hidratos de carbono como batata, inhame, mandioca, cebola, nabo, beterraba, abóbora, cenoura, etc. (em quantidades - que devem ser medidas em termos de quantidade de glícidos e não do alimento, visto que a proporção varia - adaptadas às necessidades individuais; podem ter uma noção aqui). Não se deverá ingerir fruta ou muita gordura nesta refeição. 
Dito isto, apresento-vos: comida. 

Escamudo do alasca à gomes de sá (isto soa ridículo) (ou seja: peixe, ovo, batata normal, cebola e o mínimo de azeite possível).  A receita não está no blog, mas como não é escandalosamente boa não vou publicar. Remeto-vos antes para o peixe à brás - esse sim, é surrealmente delicioso (e semelhante, até podem acrescentar batata OU - e sou parcial - mais cebola. Quem é que tem ideias brilhantes?)

Atum (enlatado em água, podem ver qual é aqui) e CHIPS DE INHAME (primeira vez que provei - imaginem o meu fascínio. Melhor. Coisa. De sempre.). 

Puré de abóbora e couve-flor (sim, comi puré com colher) e um corte magro de vitela. A receita do puré ainda vai aparecer por cá!  

Personal favorite: tortilhas de batata-doceee :D 

Hambúrguer de frango (só com frango, não as miscelâneas dos hipermercados) e chips de mandioca (o quanto eu gosto disto!). 
Espero que tenham ficado elucidados ;) se tiverem alguma dúvida podem contactar-me por e-mail (ali do lado direito, totalmente sem o m de .com estupidamente separado do resto) ou Facebook!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Chips de Mandioca Crocantes (Paleo, Whole30-Approved, Saudável, Sem Glúten, Vegan, Sem Lactose)


Dizia Eça de Queirós que o português nunca pode ser homem de grandes ideias, por causa da paixão da forma.
A verdade é que é muito difícil dissociar a forma do conteúdo. Isto acontece porque a ela é, no geral, uma antevisão do que representa; é praticamente impossível não fazer a conexão.
Um bom conteúdo, quando desprovido de forma, passa facilmente despercebido, e há vários e clássicos exemplos de como a alteração da forma influencia a receção do conteúdo. Se calhar também por isso uma ideia deva vir devidamente representada, já que as duas coisas podem coexistir pacificamente (até porque está na nossa natureza querer ambas em pleno, a partir do que surge a arte).
Não podemos culpar ninguém por julgar um livro pela capa; há milhares de livros, e talvez a capa seja um melhor critério de escolha do que a aleatoridade. A perceção das coisas importa e, por isso, principalmente em situações de competição e propositado impulsionamento do que é delas, as pessoas esforçam-se e usam até meios menos éticos para alterar essa perceção, por exemplo, em relação ao seu trabalho, quer isto se reflita em manchetes de revistas sensacionalistas ou em fotografias mais editadas.
A mim é-me também difícil separar duas questões tão intrinsecamente relacionadas, embora não deixe de tentar (às vezes). E é ainda mais difícil em casos como este: três receitas, três tubérculos, a mesma forma - chips. Parece difícil acreditar que a grandiosidade da receita não se prende nela...








Chips de Mandioca Crocantes (Paleo, Whole30-Approved, Saudável, Sem Glúten, Vegan, Sem Lactose)
Para 2 pessoas

Ingredientes:
[  1 mandioca pequena (150g depois de descascada)
[  Sal grosso (a gosto) (opcional)
[  Orégãos (a gosto) (opcional)
[  Paprika (a gosto) (opcional)
[  Pimentão-doce (a gosto) (opcional)
[  Alho em pó (a gosto) (opcional)
[  Pimenta branca (a gosto) (opcional)
[  1 colher de sopa de azeite

Preparação:
| Previamente, descascar a  mandioca, cortá-la em rodelas ou palitos (não demasiado finos) e demolhá-la durante pelo menos 30 minutos (podem saltar este passo, mas eu acho que ficam melhores e mais crocantes). 
| Temperar a mandioca com as especiarias (sal, orégãos, paprika, pimentão-doce, alho em pó e pimenta) e juntar também o azeite. Misturar bem.
| Espalhar num tabuleiro forrado com papel vegetal.
| Levar a forno pré-aquecido a 200 graus durante cerca de 30 a 60 minutos, mexendo a meio (para expôr o lado que ficou para baixo).



Eu sei que me arrisco a ter de mudar o nome do blog para «Chips de Imensas Coisas» (nada estranho), MAS isto é o melhor formato que existe para tubérculos. 
(Pensando melhor, talvez mude o nome do blog para «Tubérculos», sempre gostei imenso da palavra.)
A mandioca é parecida ao inhame quando em chips (digo eu, que só as comi em chips). Cheira um bocado mais estranho quando crua e dizem que é meio venenosa, mas se a cozinharem bem (hum* - chips crocantes).  São mesmo bastante semelhantes, especialmente em textura, embora o gosto seja um pouco diferente. Resumindo aquilo que já foi objecto de dissertação duas vezes: são EXTREMAMENTE boas, crocantes, têm um sabor fenomenal e são fáceis de fazer. E batem batatas fritas aos pontos. Especialmente se forem batatas fritas meladas. Quem é que gosta de batatas fritas meladas? 
Também já fiz chips de batata doce, inhame e mandioca ao mesmo tempo, o que é bastante fácil se pensarem que a preparação é exactamente a mesma. Óptimo para se tiverem cravings por chipmix!

*Onomatopeia mais estranha de sempre, peço desculpa. Também não podia vir nada de jeito de uma palavra como «pigarrear»...
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Informação Nutricional (por 80g, 1 dose ou metade da receita)
Energia: 144kcal
Proteínas: 1.0g
Hidratos de Carbono: 28.6g
-       Dos quais açúcares: 1.3g
Lípidos: 3.0g
-          Dos quais hidrogenados: 0g
-     Dos quais saturados: 0g
Fibra: 1.4g
Sódio: 88mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 80g, 1 dose ou metade da receita). Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real. 
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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Bolo de Cacau com Banana no Microondas (Saudável, Sem Glúten, Sem Lactose, Sem Açúcar Adicionado, Sem Gordura Adicionada)


Depois de fazer o Whole30 vi-me um bocado com um dilema. 
Gostei muito da parte do programa que insiste em comer comida verdadeira e não andar a tomar gato por lebre (fazendo batidos, bolinhos, etc). Acho que ajuda a construir uma certa «relação» com os alimentos e a apreciar as coisas como elas são e que as peças de fruta, por exemplo, são muito boas na sua forma natural - e que as pessoas que lhe têm algum rancor só o têm por serem saudáveis (se bem que isto é tudo relativo), o que deveria ser revertido.
No entanto, também não acho mal reinventar com os ingredientes e fazer bolinhos ou outras coisas saudáveis, até porque quando uma coisa do género corre bem é muito satisfatório e geralmente as pessoas gostam imenso dessas receitas - a título de exemplo, nunca tive tanto feedback como quando postei os soufflés de chocolate negro saudáveis (e eu sou uma esponja de feedback, adoro recebê-lo :P).
Acho que no fim o que prevalece é uma espécie de equilíbrio de ambas as partes - mantenho a estrutura das refeições, mantenho a essência do programa e faço umas invenções/experiências saudáveis de vez em quando. ´
Quando recebi uma adorável forminha da Ana Filipa Silva, tomei-o como um sinal do Universo para apoiar a decisão. Eu não a conheço, mas através do Facebook tenho sempre a oportunidade de ver os seus pratos perfeitos - sendo este bolo um excelente exemplo. Portanto tenho de fazer aqui um agradecimento - sem ti nunca teria comido o melhor bolinho de microondas de sempre. Fiquei muito feliz por receber a prenda :D A sério, muito obrigada!
(Isto já para não falar da quantidade de fotos deste bolinho, panquecas ou outras invenções maravilhosas da sua autoria que embelezam a secção de comentários da minha página! :D)
Entretanto, e no meio de bolinhos para dar o merecido uso à minha bela mini forma, vou tentando esforçar-me por não rebentar com o equilíbrio com esta maravilha :P




Bolo de Cacau no Microondas (Saudável, Sem Glúten, Sem Lactose, Sem Açúcar Adicionado, Sem Gordura Adicionada)
Adaptado da receita da «Ana Filipa Silva», no facebook
Para 1 bolinho

Ingredientes:
[  1 banana média
[  1 ovo 
[  2 colheres de sopa mal cheias de flocos de aveia (cerca de 10g)
[  1 colher de chá de cacau 
[  1 pitada de canela (opcional)
[  1 pitada de fermento

Preparação:
| Aquecer a banana aos pedaços no microondas durante 1 minuto.
| Num processador, liquidificadora ou com a varinha mágica, triturar bem todos os ingredientes (banana aquecida, ovo, aveia, cacau, canela e fermento).
| Colocar numa forminha (preferencialmente adorável) ou malga e levar ao microondas durante cerca de 1 minuto e 30 segundos.



(O bolinho das fotos foi feito com esta receita, mas sem o cacau. Com o cacau fica mais escurinho - e melhor, aconselho ;))
Este bolo é mesmo muito bom! Em primeiro lugar, a massa fica muito cremosa e fácil de passar e suja-se pouca loiça. Em segundo, o bolo despega-se da forma com muita facilidade. Em terceiro, ohmeudeus O SABOR. Tem um sabor muito agradável a cacau com um toque ligeiro a banana (mas não acho que saiba muito a banana, não é o clássico bolo que sabe a banana quente) e canela.
A textura também é muito boa, fofinha e agradável. Normalmente os bolos de microondas são secos e nojentos, mas este não - é o melhor que já fiz, absolutamente fantástico! O sabor é impressionante :) nunca pensei que pudesse ser assim TÃO bom. 
Eu sei o que é que estão a pensar - como é que não tínhamos acesso a esta maravilhosa receita antes de neste feriado (maravilhoso, feriado maravilhoso) a Avelã decidir praticar a sua boa ação mensal (não julguem, sou uma pessoa ocupada). 
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Informação Nutricional (por 140g, 1 bolinho ou a totalidade da receita)
Energia: 176kcal
Proteínas: 8.1g
Hidratos de Carbono: 26.4g
-       Dos quais açúcares: 10.2g
Lípidos: 5.5g
-          Dos quais hidrogenados: 0g
-     Dos quais saturados: 1.7g
Fibra: 3.6g
Sódio: 63mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 140g, 1 dose, 1 bolinho ou a totalidade da receita). Para o bolinho não conter glúten os produtos, principalmente a aveia, deverão ser certificados sem glúten. Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real. 
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