quarta-feira, 29 de abril de 2015

Amêijoas com Vinagrete (Paleo, Whole30-Approved, Sem Lactose, Sem Glúten, Saudável)


 Há pessoas que acham que a pronúncia de uma língua caracteriza (através de analogias profundas ou extorsão de significados) uma população ou uma pessoa. Eu acho que isso é estúpido (para além de implicar uma redução da pessoa ao contexto, a que ninguém me parece tão receptivo quanto isso), mas não posso deixar de atribuir a tal coisa a devida importância indiscutível e universal. Isto porque a experiência mais marcante da minha vida consistiu em observar a minha professora da primária a proferir a palavra «pão» com ditongo aberto. EU SEI. 
(Eu vou dar uns segundos para recolocarem os vossos queixos nos lugares.)
Vejo sempre a dicção portuguesa ou local (no meu caso, mais do Norte) como «neutra» por estar habituada, não sei se é mal geral. Não deve ser, porque o tom musical do brasileiro é inegável e o requintado do britânico praticamente indiscutível (a sério, quem me dera ser uma fábrica de sotaques com capacidade de supressão momentânea... Acho que o Hugh Laurie é o meu ídolo.). Mas depois há alguns contrastes engraçados (que se notam particularmente em vídeos ou gravações de voz, só para avisar). Embora haja palavras que consigo visualizar (verbo extremamente adequado) ditas de outra forma (que não a minha), há outras que não. E uma dessas outras é pão. Custa-me tanto como pôr apóstrofe nas conjugações na 1ª pessoa do plural do presente  do indicativo. 
E isso é dizer alguma coisa.
Depois há outros aspectos dolorosos, claro. Dizer um «não» (que tenha um verbo à frente) aberto em vez de «num» ou falar como se se tivesse um torcicolo, por exemplo. E isto falando só da disputa Norte-Centro (desculpem pessoas restantes, estão demasiado longe do Pai Natal para serem importantes). 
Eu adoraria ter agora uma receita de pão, mas se assim fosse este texto nunca teria nascido porque não me teria lembrado do assunto a olhar para a palavra «amêijoas» e me lembrar de gente a pasmar e comer tremoços (ou amêijoas). 
(Deliciosas. Amêijoas deliciosas.)




Amêijoas com Vinagrete (Paleo, Whole30-Approved, Sem Lactose, Sem Glúten, Saudável)
Para 2 pessoas

Ingredientes:

Para as amêijoas

[  400g de amêijoas
[  3 dentes de alho
[  4 colheres de sopa de azeite ou ghee
[  Meio limão

Para o vinagrete
[  1 pimento vermelho (200g)
[  1 pimento verde (200g)
[  1 cebola (200g)
[  100ml de azeite
[  75ml de vinagre

Preparação:

Para as amêijoas
| Previamente, deixar as ameijoas a descongelar em água com sal durante pelo menos 1 hora.
| Picar os dentes de alho e colocar numa frigideira larga juntamente com o azeite/ghee.
| Quando o azeite estiver quente, juntar as amêijoas e tampar.
| Agitar ocasionalmente.
| Quando as amêijoas estiverem abertas e cozinhadas, desligar o lume e regá-las com o sumo do meio limão.
| Reservar.



Para o vinagrete
| Picar muito finamente os pimentos e a cebola.
| Colocar ambos numa taça e juntar o azeite e o vinagre.
| Misturar bem.
| Quando as amêijoas estiverem frias, espalhá-las numa travessa e cobrir com o molho.



Eu adoro pimentos e cebola por isso sou suspeita, mas estou a maior fã deste vinagrete. Parece que juntando os pimentos, a cebola, o azeite e o vinagre adquire tudo um sabor particular diferente e maravilhoso! Este molho combina bem com tudo, eu pessoalmente prefiro usá-lo em marisco e semelhantes (fiz recentemente com polvo - TÃO bom, depois publico a receita).
Tudo isto combina na perfeição, fica uma entrada (ou parte de refeição) primaveril e maravilhosa :)
Pensava que este molho fosse mais comum, mas pesquisando só encontrei versões mais elaboradas de vinagrete com tomate. Como prefiro sem tomate não me baseei em nenhuma receita - por isso não me crucifiquem se isto não corresponder a vinagrete para gente conservadora.
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Informação Nutricional (por 106g sem contar com conchas)
Energia: 125kcal 
Proteínas: 1.0g
Hidratos de Carbono: 6.8g
-       Dos quais açúcares: 3.4g
Lípidos: 10.9g
-          Dos quais hidrogenados: 0g
-     Dos quais saturados: 1.5g
Fibra: 1.6g
Sódio: 60mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 106g, 1 dose ou 1/8 da receita). Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real. 
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sábado, 25 de abril de 2015

Chips de Inhame Crocantes (Paleo, Whole30-Approved, Saudável, Sem Glúten, Vegan, Sem Lactose)


Às vezes parece que podemos descodificar todo o universo através de vários sistemas binários específicos.
Aplicando isto a casos particulares podem perceber do que estou a falar: há duas espécies de pacotes de palitos, os que se separam da tampa (sempre) e espalham tudo quando caem ao chão (pronto, admito que estou particularmente sensível a este assunto hoje :P) e os que permanecem fechados (até agora não foi avistado nenhum especimen, se souberem onde adquirir depois digam).
Temos duas variedades de cadernos de argolas, os que permitem arrancar folhas e os que têm um picotado ridiculamente fraco que rasga sempre quando se tenta fazê-lo (e ainda aqueles que ficam com uma bossa no fundo da argola gigante, uma espécie de deformação eterna irritante como castigo pela não devoção ao virar páginas).
Existem dois tipos de cafés, os que têm quase todos os gelados da carta e aqueles cujos empregados, quando alguém pede um gelado, respondem «Temos este, este e este».
Podemos experimentar duas categorias de tesouras; as que cortam e as que apenas dobram estupidamente a folha.
Quando alguém vai a feiras relacionadas com festas populares passa invariavelmente por várias réplicas de dois géneros de barracas: as que têm um sortido de coisas que estão em alta no ano (geralmente inclui coisas do estilo de colares de missangas, telemóveis foleiros para crianças (que podem ou não tresandar a maquilhagem), t-shirts de feira com símbolos forjados por não serem autorizados, cocos-mala e cães-robô a fazer ruído de porco a morrer porque alguém é forreta de mais para trocar as pilhas) e as mais inovadoras (e com «inovador» quero dizer «semelhante a loiça que é vendida para ajudar a financiar as festas dos santos. Arrojado.).
No supermercado há dois tipos de vegetais ou fruta: os que toda a gente conhece e aqueles de que nunca ninguém ouviu patavina. 
Mas há possibilidade de passagem do 2º para o 1º para os que são especialmente prendados... ;)





Chips de Inhame Crocantes (Paleo, Whole30-Approved, Saudável, Sem Glúten, Vegan, Sem Lactose)
Para 2 pessoas

Ingredientes:
[  2 inhame médios (150g)
[  Sal grosso (a gosto) (opcional)
[  Orégãos (a gosto) (opcional)
[  Paprika (a gosto) (opcional)
[  Pimentão-doce (a gosto) (opcional)
[  Alho em pó (a gosto) (opcional)
[  Pimenta branca (a gosto) (opcional)
[  1 colher de sopa de azeite

Preparação:
| Previamente, descascar o inhame, cortá-lo em rodelas ou palitos (não demasiado finos) e demolhá-lo durante pelo menos 30 minutos (podem saltar este passo, mas eu acho que ficam melhores e mais crocantes). 
| Temperar o inhame com as especiarias (sal, orégãos, paprika, pimentão-doce, alho em pó e pimenta) e juntar também o azeite. Misturar bem.
| Espalhar num tabuleiro forrado com papel vegetal.
| Levar a forno pré-aquecido a 200 graus durante cerca de 30 a 60 minutos, mexendo a meio (para expôr o lado que ficou para baixo).

Como qualquer tentativa de foto de interior ficaria idiota (não que eu tivesse tentado tirar fotos a um palito trincado - de todo) tive de me cingir aos close-ups para poderem ver melhor esta beleza (os meus posts têm sempre esta progressão dramática, torna-se vício).
De nada.

Da primeira vez que fiz estas chips, influenciada pelo post da Joana Banana, não estava à espera de tal maravilha - mas mesmo da primeira vez que abri o forno estavam crocantes e não-desfeitas, mesmo a pedir para serem postas no blog :)
Já fiz esta receita duas vezes, sempre com resultados excecionais. As chips ficam crocantes, saborosas, com o interior mais mole (como é costume das batatas em palitos)... Em suma, maravilhosas.
É bastante diferente das chips de batata doce (ouviram, criadores anglofalantes de confusões quanto aos «yams»?), porque o inhame fica mais «denso» (e sem aquele sabor doce característico da batata doce)... É difícil explicar, mas a batata doce fica crocante e  esta com um estilo mais «thick» e duro, mas ainda crocante, especialmente no exterior - o interior é mais «carnudo» (o quanto eu odeio esta palavra!). Em termos técnicos que soam mal como tudo, «oferecem maior resistência à pressão dos molares» (acho que me estiquei, desculpem...). São MESMO boas. A sério, nem queria acreditar quando provei... Acho que ainda gosto mais do que das de batata doce, e isso é dizer muito. 
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Informação Nutricional (por 80g, 1 dose ou metade da receita)
Energia: 113kcal
Proteínas: 1.1g
Hidratos de Carbono: 20.9g
-       Dos quais açúcares: 0g
Lípidos: 3.0g
-          Dos quais hidrogenados: 0g
-     Dos quais saturados: 0g
Fibra: 3.1g
Sódio: 84mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 80g, 1 dose ou metade da receita). Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real. 
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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Whole30 - Pré-Treinos


No programa oficial do Whole30 o pré-treino recomendado não está cheio de hidratos de carbono. Podem ver as recomendações aqui; essencialmente, sugere-se uma pequena-refeição contendo proteína e gordura (ambos em metade da quantidade usual às refeições), 15 a 75 minutos antes do treino
No início para ser sincera vi-me um bocado reticente, estava habituada a comer hidratos de alto índice glicémico antes de fazer exercício, particularmente antes de correr, e por isso não passei a fazer o pré-treino recomendado logo desde o início.

Pré-treino de covarde.
Depois lá me comecei a mentalizar (ao menos se te sentires como um elefante a correr uns míseros 5km tentaste!) e até fui a tempo de reunir umas fotografiazinhas para mostrar. No geral, correr «on fat» baixa o desempenho até que uma pessoa se habitue, mas depois até dá mais energia e de forma mais duradoura. 
Então aqui vão as minhas sugestões, alguns pré-treinos que já fiz (e comi!):

1 ovo e creme de coco, com uma espécie de ciclo da lua versão ovo

Panados com farinha de amêndoa. Que. Delícia.

Peixe (o tal que tem um fiinho) e coco (que adoro!)

Eus, nozes e presunto a parecer um bico de pato

Pasta de atum e abacate, que, apesar do seu aspeto de pêlo de cão molhado, é deliciosa.
Acabei por me habituar a isto - não me sinto com pouca energia nem nada. Nem senti um grande solavanco no início, mas de qualquer das maneiras não costumo ser a pessoa mais cuidadosa do mundo a nível de nutrição pré e pós-treino. Experimentem, há grandes entusiastas deste «combustível» diferente!

domingo, 19 de abril de 2015

Sopa Lenta (e Ridiculamente Cremosa) (Paleo, Whole30-Approved, Saudável, Sem Glúten, Sem Lactose)


Antes de fazer o Whole30 comia sopa todos os dias ao almoço e ao jantar. 
A minha relação com os vegetais nunca foi má; sempre gostei de brócolos cozidos, cenoura crua, vegetais no wok e pepino, por exemplo. Ainda assim, tinha muitos vegetais que odiava também  – cenoura cozida, beterraba, feijão verde (não odeio assim tanto, mas não gosto muito) e couve-flor (exceto como molho para massa).
Quando entrei no whole curiosamente deixei de comer sopa ao almoço e ao jantar, mas passei a comê-la ao pequeno-almoço; como tenho mais tempo nas outras refeições, posso sempre fazer um salteado ou juntar vegetais à proteína (como em peixe à brás). Isto, aliado ao facto de que como vegetais crus e cozinhados em cada refeição, permitiu-me alargar o meu conhecimento quando o assunto é vegetais – a grande revelação foi a couve-flor, que passei a adorar assada ou em arroz. No entanto, não vou passar isto como uma cura mágica para não gostar de vegetais, simplesmente experimentei muitos de várias maneiras e alguns ficaram, como espargos (pena o preço :P), a supramencionada couve-flor e pimentos padrão (já conhecia mas não era fã, agora adoro!).
No entanto, e caso não gostem de vegetais, podems suspirar de alívio, porque há realmente uma cura mágica para o vosso problema: sopa (eu sei que já estavam a pensar que eu ia dizer óleo de fígado de vegetais, espero que não fiquem desapontadas comigo).
A sério, eu sei que a sopa é uma coisa odiada por menores de 18 e apenas tolerada pela maior parte dos adultos (vá lá, longe das crianças podem admitir que é por obrigação :P), mas se for feita da maneira certa transforma uma mistura aleatória e normal de vegetais num prato cremoso com um sabor fantástico.
Acreditem, pode não parecer, mas é tão mais do que um simples puré de vegetais diluído!





Sopa Lenta (Paleo, Whole30-Approved, Saudável, Sem Glúten, Sem Lactose)
Para 20 doses (talvez seja melhor reduzir mantendo a proporção se não querem alimentar um regimento durante uma semana)
Inspirado aqui e aqui

Ingredientes:
[  150g de abóbora
[  200g de alho francês (2 alhos-franceses pequenos)
[  100g de brócolos (1 raminho)
[  100g de cebola (1 cebola pequena)
[  250g de cenoura (2 cenouras)
[  500g de chuchu (2 chuchus)
[  100g de courgette
[  200g de couve-flor (1/4 de cabeça)
[  100g de pimento verde (1/2 pimento)
[  100g de pimento vermelho (1/2 pimento)
[  650g de repolho (1 repolho)
[  150g de costela mendinha (1 pedaço)
[  200g de nispo (carne para a sopa) (2 pedaços)
[  300g de peito de frango (1 peito de frango)
[  400g de rabo de boi (4 pedaços pequenos)
[  1 ramo de salsa
[  3L de água
[  Sal (a gosto)

Preparação:
| Picar todos os legumes grosseiramente e colocar numa panela gigante.
| Colocar na panela a carne (cortada em pedaços grandes).
| Cobrir com a água (deve tapar os legumes e a carne).
| Levar a lume médio-alto até ferver (com a tampa).
| Reduzir o lume para o mínimo possível e deixar cozinhar, tampado, durante 4 a 8 horas.
| Retirar a carne e os ossos, desfiar a carne e descartar os ossos.
| Triturar com a varinha mágica os vegetais (com paciência para ficar cremosa). Podem saltar este passo se preferirem a sopa com vegetais a flutuar em vez de passada.
| Devolver à panela a carne desfiada.




Esta sopa é tãããão boa. Se passarem bem fica incrivelmente cremosa (ajuda que os vegetais fiquem macios por causa da cozedura lenta), e não sei quanto a vocês, mas eu adoro ter carne desfiada numa matriz indiferenciada de sopa. Fica mesmo muito bom!
Estas direções são um bocado um exemplo. São as quantidades que usei para fazer a panela que está neste momento a ultrapassar o seu (longo) processo de cozedura, porque geralmente o que eu faço é só arranjar vegetais e ir colocando-os juntamente com a carne na panela até a encher, cobrindo depois com água a ferver. Podem ir pondo vegetais à sorte de acordo com o vosso bom senso, se preferirem, mas eu achei que pôr «imensos vegetais», «uns pedaços jeitosos de carne» e «água» como únicos ingredientes seria estranho.
Esta é mais uma daquelas receitas que demora a fazer mas não exige atenção - nem mexo a sopa durante as 4 a 8 horas, normalmente. Dá bastante pouco trabalho. Entretanto se quiserem até podem fazer uma maratona e ainda sobra tempo para recuperar e comer um pratinho de massa :P
Tenho feito esta quantidade ao Domingo e fico com os pequenos-almoços para a semana, o que dá bastante jeito. Aqueço numa panela adorável ao lume e fica muito boa na mesma, dura até uma semana.
...Já agora, se dúvidas restassem quanto à minha dedicação ao blog, estive a pesar todos os ingredientes. Eu, que ponho película aderente no prato da balança quando peso manteiga para não ter de o lavar. E no meu processo aleatório de produção industrial de sopa. É como pedir ao Kandinsky para medir a tinta. Ah, e segurei no tablet com uma mão enquanto segurava na colher com a outra, tentava não tremer (ou estatelá-lo no prato de sopa) e tirava fotos, apenas para poderem testemunhar o quão bela fica a minha sopa na colher.
(Também organizei os ingredientes com um segundo critério - sendo o primeiro a ordem de uso - de ordem alfabética. De nada.) 
A minha avó admitiu a cedência do trono de sopas em meu favor após comprovar o prodígio de sopa que isto é, vejam só ;)

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Informação Nutricional (por 144g, 1 malga, 1/20 da receita ou 2 conchas)
Energia: 71kcal
Proteínas: 8.2g
Hidratos de Carbono: 8.3g
-       Dos quais açúcares: 2.2g
Lípidos: 1.1g
-          Dos quais hidrogenados: 0g
-     Dos quais saturados: 0g
Fibra: 2.2g
Sódio: 51mg

...Como VIS, a sopa merece destaque nalguns outros pontos que não costumo pôr:
- 107% da DDR de vitamina C;
- 65% da DDR de vitamina A;
- 10% da DDR de cálcio;
- 10% da DDR de ferro;
- 10% da DDR de potássio.

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 144g, 1 dose ou 1/20 da receita). Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real. 
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sábado, 18 de abril de 2015

Whole30: A (divertida) Review*


(Eu não gosto para mim do modelo foto-texto-foto, porque como as fotos não são adoráveis e artísticas fica um bocado pretensioso. Mas depois de escrever o texto ele ficou a tender para o grandote, portanto vou usar essa sequência pelo bem de quem se aventurar a ler. Preparem-se para a disposição romântica.)

A última terça-feira, dia 14, foi o meu último dia de Whole30. Eu não fiz um monte de posts estilo review porque acho que ia acabar por me repetir (para além disso, há muitos relatos por aí). Mas não podia deixar este momento importante para a história da humanidade por assinalar, pelo que aqui estou eu com mais um monólogo. De nada. 

Eu avisei.
Se puser legendas é menos constrangedor?
Eu não esperava nada de maravilhoso com o Whole30. Não esperava que fosse difícil e não esperava ter cravings ou vontade de desistir, mas também não esperava ganhar um 6-pack instantâneo ou sentir um bem-estar universal avassalador que mudasse a minha vida. Não que tenha sido mau ou pouco proveitoso, que não foi; tenho simplesmente uma noção razoável de como sou, e acho que as previsões foram bastante precisas. Senti-me muito bem durante todo o tempo. Nunca tive intolerâncias ou alergias (considero-me sortuda), e por isso também não me deu uma leveza indescritível nunca antes testemunhada. Mas foi bom. Já para não falar dos benefícios psicológicos: não imaginam o quão divertido é apregoar o menu de pequeno-almoço quando inclui sopa, sardinhas, vitela ou salada. 

Ou panados.
...Continuando: gostei muito do estilo das refeições. Acho que se adequa muito mais a mim do que estar a comer de 2 em 2 horas ou parecido, e realmente isso torna-se desnecessário a partir do momento em que se come decentemente às refeições (mas eu já falei disso). 
Não tive vontade de comer nada em especial. Uma coisa que acho que ajuda é saber que é só comida. Não pode ser assim tão difícil - é comida. Mais nada. As coisas têm a importância que lhes atribuimos... Embora tenha a sua componente social e possa saber bem não é nada de mais, não se vai perder nenhuma oportunidade única na vida por não comer algumas coisas durante um mês - o bolo que alguém oferece não é mais do que um bolo (se for de chocolate negro e húmido é que já é negociável). Eu sei que às vezes tem parte sentimental e confecção carinhosa associadas, mas toda a gente é responsável pelas suas decisões, pode-se sempre recusar educadamente - até que ponto uma fatia de bolo caseiro pode condicionar uma relação?... E de qualquer das maneiras a única dificuldade é no momento, porque de resto é uma coisa que pertence ao passado e as memórias de sentidos são-me (-nos?) um bocado indiferentes. Acho que ninguém anda feliz durante 2 dias por ter comido um croissant.
Os instintos ditos animais são ultrapassáveis. Até porque não querem que o Kant vos acuse de imperfeição moral. 

Tortilhas de batata doce morais.
A parte que custa mais é recusar ofertas de circunstância, em eventuais situações comemorativas ou assim (digo eu, que sou inteligente e deixei o Whole ocupar a Páscoa). Ainda assim há que perceber que não vem mal ao mundo por se recusar elementos de um jantar combinado ou se sacar uma lata de atum. Se eu não me importo porque é que os outros hão-de se importar?
Não senti, portanto, grandes saudades de nada. Tem piada, até... Acho que conseguia com facilidade não comer massa ou arroz para o resto da minha vida, não ligo muito. Cheguei ao fim e lembrei-me de que «olha, não como arroz nem massa há um mês, que engraçado» :P ainda não comi, não sinto falta. E agora estou demasiado formatada para corromper o meu modelo de refeições, lamento. 
Eu sei que o Whole parece difícil para muita gente que já tem uma alimentação saudável. Por causa da aveia, das panquecas, do chocolate negro, etc. Não é :P não vale a pena analisar demais. Eu gosto muito de chocolate negro (99% então, é amor) e nem me lembrei dele durante o Whole (tendo um armário com o meu chocolate negro favorito 81%, 99%, branco, de leite, etc. Aliás, eu tenho um monte de porcarias em casa e não afecta). Portanto ter gomas em casa não é argumento válido :P 
Pelo menos no Whole, ao contrário de uma dieta, não se pode mesmo e a negação é assertiva, não há cá bocadinhos - por isso nem há grande hipótese de deslize.



Quanto a papas/iogurtes/... Nem chega a haver espaço. Depois de se adoptar as refeições é constrangedor introduzir cereais ou lacticínios lá para o meio. 
Uma coisa que é chata é verificar todos os rótulos com medo de que tenham um conservante ou corante. Há muitas coisas teoricamente compliant que não o são devido a aditivos, portanto recomendo atenção (se não querem recomeçar, que isto é rigoroso).
Agora que acabei o Whole30 vou manter muitas coisas. O pequeno-almoço vai ser para ficar mais ou menos regular, com eventuais excepções. Tenho comido sopa, uma fonte de proteína, uma de gordura, vegetais crus e fruta, é mais prático do que andar com refogados de madrugada. De resto vou também ter de fazer doces e algumas comidas não-tão-whole mas que também fazem parte, embora não com regularidade (como aliás já fazia). 

Saga «fiz durante o Whole e só cheirei»: brigadeiro de Nutella...

...Tarte de flan...

...Queques de laranja e cenoura...

...Tarte de laranja e coco (a minha mãe e avó babaram-se tanto que o repeat está para breve)...

...Bolo de coco com aveia. Também fiz pão de ló e pudim, não fotografados. 
Quanto à reintrodução dos alimentos, eu não tive grandes preocupações porque nunca noto diferenças a nível gastrointestinal nem nada. Se têm, aconselho a que estudem o plano de experimentação gradual. Podem ler mais no site oficial, mais precisamente aqui.
O balanço é, em suma, positivo. Gostei de fazer e voltaria a tomar essa decisão. Não vou voltar a fazer porque o fiz a título de experiência - agora posso manter as bases e confiar no meu discernimento para fazer escolhas, sem deixar de comer uma salada num dia porque o vinagre tem E220 (o pesadelo do E220...). Mas aconselho vivamente, para verem como se sentem e aprenderem um bocado sobre a alimentação e como o corpo funciona e reage. Sempre é um desafio engraçado!



...Já agora, tenho um monte de posts com receitas e assuntos relacionados que ainda não publiquei. Ainda por cima vou continuar a acrescentar à acumulação. Portanto é para continuar com as receitas e os posts

(Não me julguem se também aparecerem bolos.)



*Título não vinculativo.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Produtos Que Uso No Whole30


Apesar de a maior parte dos produtos que uso virem diretamente do talho, peixaria ou secção de frescos do supermercado, ainda há alguns produtos embalados que não têm adicionados ingredientes proibidos e que às vezes facilitam as coisas, além de serem deliciosos ;)

Assim sendo, aqui está um pequeno apanhado deles, sendo os primeiros obviamente:

Manteiga de Caju, Manteiga de Amêndoa e Óleo de Coco da Myprotein
O intervalo de tempo que começou quando os encomendei e acabou no momento em que a encomenda chegou foi de pura agonia, acho que já estava a prever o quão boas iam ser as manteigas (e o óleo de coco, que também é muito versátil e dá para fritar imensas coisas).
Já fiz imensa coisa em óleo de coco: comida (claro), ananás, maçã, banana... Fica tudo bom! E este tem um cheiro muito agradável, além de monetariamente compensar mais do que o do celeiro. Gosto mais de óleo de coco do que de azeite para coisas semelhantes a fritar porque é mais estável a altas temperaturas.
Agora as manteigas... Que. Boas. São mesmo viciantes e muito, muito saborosas! Como com maçã, com banana ou diretamente do pacote com uma colher, a minha maneira favorita. A de amêndoa é 100% amêndoa mas a de caju têm 4% de óleos vegetais. Ainda é permitida no whole, mas é um ponto importante a mencionar. Eu tento evitar, com isto não deu ;)
A de caju sabe mesmo a caju e é deliciosa. A de amêndoa adoro com maçã granny smith, mas o meu coração vai para a de caju! A textura não é igual à de manteiga de amendoim cheia de gordura hidrogenada, é algo mais granulosa, mas bastante espessa e agradável.

A seguir vem outro que dá imenso jeito e que adoro:

Presunto
Este presunto foi uma descoberta, só tem carne e sal como ingredientes! Encontram no E. Leclerc a 1,69€ por pacote (100g). É muito prático ter uma fonte de proteína (e gordura) assim pronta. Além dos pontos pelos ingredientes, foi dos presuntos embalados de que mais gostei, às vezes outros com mais ingredientes não são tão bons como este...

Agora enlatados:

Atum
Mais uma fonte de proteína muito útil. Este é em água e é do E. Leclerc, mas de certeza que encontram igual, sem aditivos (só atum, água e sal ou com azeite em vez de água, caso prefiram), noutros supermercados. Podem usar para fazer a pasta de atum e abacate :)

O produto seguinte é também enlatado e uma boa fonte rápida de proteína:

Sardinhas (Ao natural ou com azeite)

Pus esta marca porque é a que tenho agora. Comprei em promoção, mas de qualquer maneira é mais barata do que as marcas brancas, e gosto bastante :) Gosto muito de comer ao pequeno-almoço pela praticidade. Também há as versões de tomate e tomate picante, mas têm óleos vegetais que, não sendo excluídos do programa, prefiro evitar.

De qualquer maneira, se gostarem muito de sardinhas com tomate, podem sempre usar...

... Concentrado de Tomate!...
...Embora eu não aconselhe, já que é bastante estranho adicionar concentrado frio de tomate a sardinhas enlatadas. Mas ficou bem a sequência, não podia deixar de fazer a ligação :P
Isto é um bocado para mostrar que nem todos os molhos de tomate têm açúcar. Este é concentrado e só tem puré de tomate e sal, mas também compro uns pacotinhos de cartão com molho mesmo que são permitidos.

Continuando...

Cacau em pó
Atenção, o cacau é para ser usado como especiaria. Pode-se usar no café ou na comida, não para fazer combinações, mousses ou coisas do género.
Este é um bocado caro, eu tenho uma pequena reserva porque uma altura comprei alguns pacotes mais baratos em Espanha. Aqui também apanham algumas promoções :)
Gosto bastante do sabor intenso deste, acho que é o meu cacau preferido (mas também não sou experiente!).

Próximo:

Passas, ou «Raisins Secs» para gente fina
Eu nunca fui graaande fã de passas, no iogurte odeio e em granolas tiro sempre. Têm um sabor estranho e doce demais, e a melhor maneira de as suportar para mim é no pão com philadelphia. Sim, eu sei, pão com philadelphia não é a coisa mais whole-compliant de sempre, por isso é que já ia mencionar que agora as como de outra maneira: congeladas. Ficam muito boas, não ficam duras nem enjoativas e são fresquinhas. Agora tenho sempre um tupperware (dos fracos, que os bons não são para congelar!) com elas no congelador. Ainda não se esbardalharam pelo meio do chão, mas é preciso ter calma, que é como os palitos - pode demorar, mas acaba sempre por acontecer um dia (e esse dia é desesperante, o que não é de todo uma hipérbole).

Passando a parte das amarguras de palitos derramados...

Cebola (eu adoro cebola, não sei se já repararam!)

Ou cebolinha, o que é melhor ainda porque assim é amigo da Mónica. Esta embalagem ainda não abri, mas parece-me bem para os vegetais crus de uma refeição :)

O último e o melhor de todos:

Cajuuuu :D
Eu adoro cajus :P Estes são torrados e têm uma pequena percentagem de óleos vegetais, por isso não são os melhores dos melhores, mas são os que há onde costumo ir. Não têm sal, o que me agrada, porque o sal estraga o sabor deles e às vezes é exagerado.

Espero que tenham gostado das sugestões! Se encontrar mais produtos depois vou editando este post :)







domingo, 12 de abril de 2015

Chips de Batata-Doce Crocantes (Paleo, Whole30-Approved, Saudável, Sem Glúten, Vegan, Sem Lactose)



A primeira vez que provei batata-doce foi num cozido.
Não gosto muito de cozido e também não gosto muito de batatas em cozido, por isso não foi grande surpresa quando não achei que a batata-doce fosse grande coisa - só me lembro de achar que sabia a castanha e e tinha um gosto ligeiramente doce, apesar de não ser das mais doces (era branca).
Depois voltei a dar outra oportunidade à batata-doce e experimentei em chips e assada no forno, mas as chips ficaram moles e estranhas e assada também não me convenceu, apesar de não desgostar. Desde essa altura já experimentei 3 tipos de batata-doce, nem sempre de forma voluntária: laranja, branca e roxa. A laranja é a minha preferida... Compro no Lidl e é a que acho é a que fica melhor em chips, mas nem toda a gente prefere esta por ser mais doce - eu acho que combina muito bem com as especiarias. A branca é a mais parecida com a normal, mas quando a faço em chips também fica meia alaranjada e é muito boa... e depois há a roxa, com uma história muito divertida e não de todo assustadora por trás dela.
Um dia, na minha ingenuidade de quem só tinha comprado ainda batata-doce cor-de-laranja, comprei uma saca delas no E. Leclerc e guardei-a numa bacia (na minha bacia preferida, a azul :P). Quando finalmente as ia usar, cortei a meio e vi uma batata roxa a segregar uma espécie de líquido branco às pintinhas, algo como isto. Como nunca tinha visto batatas roxas e aquilo era meio estranho assustei-me imenso e comecei a pensar que talvez fosse mandioca, porque não sabia como era por dentro (nunca tinha visto) e a caixa delas estava à beira da de batata-doce no supermercado, por isso podia ter-me enganado. E foi aqui que entrou o sempre útil Google - com as suas imensas notícias sobre gente que morreu envenenada por mandioca mal cozinhada. Podem imaginar que não fiquei com grande vontade de a cozinhar.

Ainda assim, fiz chips com essa batata, depois de me certificar de que não era mandioca - e agora, cerca de um ano depois desta traumatizante experiência de quase-morte, posso dizer que estou viciada em batata-doce.

Em palitos


Às rodelas


Chips de Batata-Doce Crocantes (Paleo, Whole30-Approved, Saudável, Sem Glúten, Vegan, Sem Lactose)
Para 2 pessoas

Ingredientes:
[  1 batata-doce média (150g)
[  Sal grosso (a gosto) (opcional)
[  Orégãos (a gosto) (opcional)
[  Paprika (a gosto) (opcional)
[  Pimentão-doce (a gosto) (opcional)
[  Alho em pó (a gosto) (opcional)
[  Pimenta branca (a gosto) (opcional)
[  1 colher de sopa de azeite

Preparação:
| Previamente, descascar a batata-doce, cortá-la em rodelas ou palitos (não demasiado finos) e demolhá-la durante pelo menos 30 minutos (podem saltar este passo, mas eu acho que ficam melhores e mais crocantes). 
| Temperar a batata-doce com as especiarias (sal, orégãos, paprika, pimentão-doce, alho em pó e pimenta) e juntar também o azeite. Misturar bem.
| Espalhar num tabuleiro forrado com papel vegetal.
| Levar a forno pré-aquecido a 200 graus durante cerca de 30 a 60 minutos, mexendo a meio (para expôr o lado que ficou para baixo).
| Opcionalmente, colocar o forno no modo «tostar»/«grill» durante uns 5-10 minutos extra, para ficar mais crocante (caso ainda não esteja).




Já repeti esta receita umas 10 vezes, só para ver se funcionava mesmo ;) Toda a gente gosta e fica com um sabor ao mesmo tempo leve e maravilhoso, com a parte de fora crocante e a parte de dentro mais macia (dependendo do quanto a tostam)... TÃO BOM. É a minha maneira preferida de comer batata-doce, juntamente com as tortilhas de batata-doce maravilhosas que por acaso comi agora mesmo ;) Normalmente parece difícil introduzir na dieta a batata doce por não se estar acostumado (eu nunca comi, tirando numa sopa de bebé que a minha avó faz questão de dizer horrível de cada vez que eu toco em batata doce), e eu já tinha pensado umas 10 vezes que era melhor desistir da ideia de começar a gostar - até surgirem estas 2 coisas brilhantes. Assim juro que não custa nadinha gostar de batata doce.
Eu gosto mais em palitos, mas em rodelas também é bom, mais não seja para variar. Não que seja possível alguém se enjoar disto.
Sugiro que dupliquem, tripliquem ou quadrupliquem a receita. Depois vão-me agradecer.
(Ainda por cima até dói pôr só 1 batata no forno...)
Obviamente que podem usar as especiarias que quiserem, mas eu gosto muito de todas as que usei e do resultado final... Acho que fica mesmo bem :) Sou bastante generosa na paprika e no pimentão doce. Fica incrível! Eu, crítica da fusão precipitada do mais saudável com o melhor, gosto muito mais do que batatas fritas.
Têm um sabor sublime. São perfeitas. FAÇAM. 
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Informação Nutricional (por 80g)
Energia: 84kcal
Proteínas: 1.5g
Hidratos de Carbono: 15.5g
-       Dos quais açúcares: 4.9g
Lípidos: 2.0g
-          Dos quais hidrogenados: 0g
-     Dos quais saturados: 0g
Fibra: 2.5g
Sódio: 104mg
     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 80g, 1 dose ou metade da receita). Não se inibam de comer o dobro. Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real. 
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